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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Pais têm de estar preparados para amadurecimento das crianças

COLUNA VESTIBULAR E EDUCAÇÃO DO SITE G1

Quem trabalha com o público infantil ou tem filhos em idade de desenvolvimento se surpreende com a precocidade dessas crianças quando as compara com gerações anteriores. Assustam-se diante de seus comportamentos e ideias. Os pais chegam a questionar onde erraram, se não tiveram pulso firme para conduzir melhor os pequenos na vida. Ou se determinadas manifestações, que esperariam quando fossem adolescentes, não seria um modo de provocá-los.

As crianças parecem mesmo diferentes desde o nascimento. Algumas pessoas mais velhas têm comentado que os bebês demoravam alguns dias para abrirem os olhos quando nasciam, mas que hoje em dia já saem do útero materno com os olhinhos bem abertos, querendo ver tudo. Ainda nessa época, parecem estar muito atentas ao mundo que as rodeia, interessando-se por tudo.

Assim, vão se desenvolvendo, parecendo que sempre as coisas se antecipam na vida delas, estando sempre adiantadas. E estão mesmo, não é simples percepção, é fato.

Quando pequeninas, são questionadoras sobre o mundo e suas regras. Foi-se o tempo em que pareciam mais inocentes e eram facilmente enroladas pelos adultos para que entrassem em seu esquema.

Provavelmente, vários são os fatores que estão interferindo no amadurecimento das crianças, que não ocorre só no campo do comportamento e da inteligência. Várias pesquisas têm mostrado uma tendência delas entrarem mais cedo na puberdade, o que já vem acontecendo há algum tempo – cada vez estão se adiantando em seu desenvolvimento. Alguns associam com a melhora na qualidade de vida, principalmente da alimentação, com consequente interferência no sistema hormonal.

Gravidez
Outro fator que temos que considerar é o lugar que elas ocupam no mundo. Se há algumas décadas as mamães grávidas escondiam suas barrigas por pudor, hoje mostram a barriga com orgulho e conversam com ela mesmo se ainda está oculta e se o bebê nem consegue ouvir. Já são estimulados aí. Inclusive, por músicas e conversas com os papais.

Com pouca idade, às vezes meses, vão para a escola. E os conflitos vividos mais tarde, já são enfrentados, como a separação da mãe e a convivência com outras crianças. Sem contar que ficarão independentes mais cedo. Por mais que a escola cuide, um adulto não poderá ficar grudado na criança, ajudando-a em tudo. Além, é claro, de a estimularem a fazer as coisas por si só.
Consequentemente, as aprendizagens também vão acontecer antes. Inciava-se a alfabetização com sete anos. Atualmente, com cinco ou seis anos elas já escrevem e leem, fazem contas e têm conhecimentos sobre estrelas, músicos e pintores.

Em casa, os pais têm dado mais valor à cultura. Facilitam o acesso aos livros, passeios, filmes, internet... O que antes acontecia um pouco mais tarde na vida delas. A informação vem de todos os lados.

Sem contar que elas são mais incluídas na realidade naquilo que antes parecia restrito ao domínio dos adultos. Falam de morte e participam de seus rituais. O corpo não é algo mais tão escondido. O interesse pela sexualidade tem sido encarado com mais naturalidade.

Diante disso, dá para entender a precocidade delas. Os pais, por sua vez, tem que ter essa compreensão. Caso contrário, vão se culpar por não terem cuidado direito, o que não é verdade. Os tempos são outros. Houve avanços na forma de se encarar algumas coisas na vida, inclusive as crianças. Assim, elas também estão mais avançadas. É o sinal dos tempos.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Apoio da família é essencial para melhorar desempenho dos filhos na escola

COLUNA BEM-ESTAR DO SITE DO JORNAL ZERO HORA

O apoio dos pais é fundamental para ajudar as crianças a se adaptarem à rotina escolar e a conseguir melhores resultados em seu desempenho pedagógico. Segundo a pedagoga Francisca Giacometti Paris, diretora pedagógica do Agora Sistema de Ensino, educar é uma atuação mais abrangente do que ensinar e transmitir conhecimentos. Para ela, os pais não podem estar distantes da vida escolar de seus filhos.

— É comum que pais que trabalham fora de casa acabem se afastando dos fazeres escolares dos filhos, com a justificativa de estarem muito atarefados. Mas é preciso entender que, mesmo com papéis diferentes, a escola e a família têm o objetivo comum de educar a criança para a vida em sociedade. Já que têm o tempo limitado, os progenitores devem investir em um relacionamento de qualidade, e não de quantidade, no qual os aspectos específicos da escola sejam também contemplados — explica Francisca.

Para a especialista, é possível que o núcleo familiar se integre a este processo de diversas maneiras. O pai e a mãe podem, por exemplo, auxiliar nas lições de casa e nos trabalhos escolares em um local sossegado da casa, dando dicas, indicando pesquisas, relendo e comentando as atividades realizadas e mesmo resolvendo alguma dúvida. Porém, eles devem evitar cair na tentação de fazer o trabalho pelo estudante, uma vez que a tarefa é de responsabilidade do aluno, que deve estar apto a realizá-la com autonomia.

Incentivar a leitura e o gosto por programas culturais desde cedo e participar dos eventos que acontecem na escola, como reuniões de pais e mestres e festas, são outras ações importantes para conhecimento e integração com os professores e demais famílias daquela comunidade escolar. Também vale explorar o novo universo que se abre aos filhos e aprender — ou relembrar — assuntos relacionados a números, plantas, animais, história e geografia, entre outros. Ao perceber que é acompanhada nesse processo de desenvolvimento educacional, a criança se sente valorizada e importante na vida familiar.

Muitas vezes, ajudar o pequeno a ter um bom desempenho na escola é uma questão apenas de ouvir seus problemas — mesmo os que parecem irrelevantes — elogiá-lo e repreendê-lo quando necessário, orientando-o em cada situação.

—Para os estudantes obterem bons resultados na escola, algumas palavras-chave são fundamentais, como: estrutura, disciplina, desafios, reconhecimento, motivação, limites, escolhas, segunda chance, compreensão, respeito e muito amor — defende a pedagoga.

Uma dica importante é que os pais não esperem que os filhos obtenham nota máxima em todas as áreas de conhecimento, mesmo que sejam ótimos alunos. O importante é que eles tenham bom desempenho, independentemente do ranking da sua turma.

— Quando os pais têm expectativas muito rígidas em relação às crianças, elas podem se frustrar por imaginarem que precisam alcançar padrões inatingíveis para conseguirem aprovação dos adultos. Contudo, é preciso que os responsáveis vejam os grandes esforços dos pequenos como boas atuações, mostrando a eles a importância de se esforçarem para aprenderem o que precisam, aceitando suas limitações — afirma Francisca.

— É necessário estabelecer limites e também cumpri-los, sem ceder diante das chantagens emocionais infantis, e chegar a um meio termo entre a permissividade e o autoritarismo, equilibrando o 'tudo pode' com o 'nada pode' e justificando o porquê das regras. Assim, eles aprendem desde cedo a fazer renúncias, a respeitar os direitos das outras pessoas e a conviver com frustrações — ensina a pedagoga.

Também vale ressaltar que um bom desempenho escolar não deve ser condicionado à entrega de mesadas ou presentes em função das boas notas ou após o término do dever de casa. Desse modo, os responsáveis ajudam as crianças a se tornarem independentes e preparadas para as obrigações da vida adulta.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Cai o número de matrículas no Ensino Médio no Estado

SITE DO JORNAL ZERO HORA

O Ensino Médio está perdendo o interesse entre os gaúchos.Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) indica que o número de matrículas vem caindo quase sete vezes mais do que a população na faixa etária correspondente. A situação é agravada pelos altos índices de reprovação e abandono escolar na rede estadual – que deixam o Rio Grande do Sul na terceira pior posição nacional do ranking de aprovação no Ensino Médio.

Otrabalho do Grupo de Estudos sobre Universidade da UFRGS demonstra que, entre 2005 e 2008, o número de matrículas caiu 11% no Estado – enquanto a queda média nacional foi de 6,9%. Essa retração não pode ser atribuída a mudanças no perfil demográfico.

Nesse mesmo período, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou uma redução bem menor na faixa etária adequada ao Ensino Médio no Rio Grande do Sul: a população entre 15 e 17 anos recuou 1,6%.

– Há um desinteresse no Ensino Médio devido à perda de identidade dessa modalidade. Hoje, ele representa algo apenas para quem quer seguir o Ensino Superior. Muitos alunos deixam a escola para trabalhar e aumentar a renda familiar. Entre as mulheres, há o problema da gravidez na adolescência – interpreta o sociólogo Bruno Morche, um dos autores do estudo.

De cada cem alunos, apenas 65 se formaram em 2008

O levantamento demonstra ainda que o percentual de gaúchos que concluem o ano letivo, em comparação com o número de ingressantes, fica abaixo da média nacional. Em 2008, 83 mil estudantes terminaram o Ensino Médio, enquanto 180 mil ingressaram nele – um índice de 46%. Nacionalmente, os concluintes representam 51,7% das novas matrículas.

Registros do Ministério da Educação apontam outros obstáculos do antigo ensino secundário. No ano passado, de cada cem alunos que ingressaram no colégio, somente 65 se formaram. Isso deixa o Rio Grande do Sul em uma incômoda 25ª posição – à frente apenas de Sergipe e Rio de Janeiro. Dados da Secretaria Estadual da Educação (SEC) permitem concluir que, dos 35 estudantes gaúchos que não avançam de ano, 21 são reprovados, e 14 deixam a escola.

Santa Catarina aprova quase o dobro de alunos

Uma comparação com Santa Catarina, que tem o melhor fluxo do país, escancara o mau desempenho rio-grandense: no Estado vizinho, 81,6% dos alunos do Ensino Médio conseguem concluir o ano. Isto significa que apenas 18 de cada cem colegas são reprovados ou deixam o colégio.

Esses indicadores formam o principal obstáculo a um melhor desempenho da rede pública rio-grandense no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) – indicador de qualidade utilizado pelo governo federal composto por notas em exames de português e matemática e pelo índice de aprovação dos alunos. Os rio-grandenses têm as melhores notas no país entre os alunos das redes estaduais, mas seu desempenho acaba comprometido pelo fluxo estudantil.

O secretário estadual da Educação, Ervino Deon, admite preocupação com o problema.

– A escola tem de ser mais atraente, ter um significado maior para estes jovens – afirma.

Deon lembra que o governo estadual procura investir na infraestrutura escolar e na formação dos professores a fim de melhorar a frequência e o desempenho do aluno.

Para a professora da Faculdade de Educação da UFRGS Nalú Farenzena, porém, o assunto deve ser tratado como prioridade.

– Os dirigentes educacionais têm de procurar saber quais são os fatores que levam a essas taxas e procurar incidir neles – aponta.

Escola muda e atrai aluno

A fuga do Ensino Médio pode ser estancada, como demonstra o exemplo de um colégio da rede estadual de Porto Alegre. Graças a uma administração centrada na frequência e no desempenho dos alunos e a mudanças estruturais, a instituição conseguiu reduzir a taxa de abandono escolar de 36% para 12% em três anos.

Localizado no bairro Partenon, e com 1,6 mil alunos, o Instituto Estadual de Educação Paulo da Gama começou a mudar sua situação com o auxílio de uma parceria com o Instituto Unibanco, que garante R$ 100 ao ano por aluno para melhorias de infraestrutura, projetos especiais com os estudantes e com os professores.

A direção também estabeleceu planilhas para acompanhar diariamente eventuais faltas de alunos. Quando é detectada uma ausência, a família é procurada.

Quem mora longe pode até receber auxílio para pagar as passagens de ônibus. Os estudantes com menor número de faltas e melhor desempenho recebem prêmios, como ingressos para teatro, cinema e passeios.

– Procuramos trabalhar a auto-estima e a disciplina por meio de um rigoroso controle de frequência – explica a diretora, Nilse Christ Trennepohl.

Disciplina rígida para evitar brincadeiras em aula

Outra medida foi eliminar as inscrições para o período noturno. Conforme Nilse, a maioria dos estudantes pretendia apenas garantir matrícula para comprar passagens de ônibus com desconto ou conseguir um estágio remunerado. Ao longo do ano, iam abandonando o colégio até deixarem as salas quase vazias.

A disciplina também é rígida: ninguém fica de boné na sala de aula, a fim de evitar que o rosto escondido estimule brincadeiras fora de hora. Óculos escuros são proibidos para facilitar a identificação dos alunos.

Como resultado, a instituição está conseguindo até trazer de volta antigos estudantes evadidos. Gisele Moreira da Silva, 28 anos, deixou os estudos devido à gravidez. Hoje, como os filhos já têm 11 e nove anos, retomou o Ensino Médio no Paulo da Gama.

– Quando todo mundo se esforça, a gente também se sente mais estimulada a estudar. E, com mais estudo, a gente tem chance de conseguir uma vida melhor – resume.


Por Marcelo Gonzatto

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Número de matrículas apresenta crescimento na creche e pré-escola

A educação infantil pública no Brasil cresceu nos últimos anos. O censo da educação básica de 2009 mostra que há 1,2 milhão de crianças matriculadas em creches. Em 2000, esse número era de 652 mil.Já na pré-escola, foram registradas 3,7 milhões de matrículas em instituições públicas no ano passado; há dez anos, eram 3,8 milhões. No entanto, essa diferença não representa queda no número de crianças matriculadas, já que boa parte dos alunos de seis anos, que antes cursavam a pré-escola com essa idade, agora estão no primeiro ano do ensino fundamental, devido à implantação do ensino de nove anos. Em 2009, havia 2,2 milhões de matrículas no primeiro ano do ensino fundamental.

Com a expansão da oferta na educação infantil, a demanda por professores qualificados também aumenta. Na creche, por exemplo, a proporção deve ser de um educador para cada dez alunos, no máximo. Por isso, o Ministério da Educação (MEC) tem intensificado as ações de formação de docentes para atuar nessa etapa da educação básica.

Uma dessas ações é o Proinfantil, programa que tem o objetivo de formar – em nível médio magistério – professores em exercício na educação infantil pública que não tenham sequer o ensino médio. Já estão em formação 23 mil docentes.Com o ensino fundamental de nove anos, obrigatório a partir de 2010, as matrículas no primeiro ano também cresceram. Para melhorar a qualidade do ensino em leitura, escrita e matemática, o MEC oferece o Pró-Letramento, programa de formação continuada de professores das séries iniciais do ensino fundamental, em exercício na rede pública.

Vale lembrar que, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), os educadores formados em nível médio na modalidade normal estão habilitados a lecionar na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental. Tramita no Congresso Nacional um projeto de lei que altera a LDB; caso seja aprovado e sancionado, determinará que os professores com formação em nível médio, que passem em concursos para atuar na rede pública de ensino, terão prazo de seis anos para concluir um curso de licenciatura.

É importante ressaltar que a educação infantil saiu da assistência social e foi para a área educacional há pouco tempo. Antes, não se exigia formação em magistério para atuar em creches, porque o profissional só tinha que cuidar das crianças; agora, tem que cuidar e educar”, explica a secretária de educação básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda.

Ainda assim, a quantidade de professores com formação inferior à exigida para lecionar caiu em dez anos. Em 1999, havia 130.949 docentes com nível fundamental. Em 2009, o número foi para 12.480. Já os formados em nível médio eram 1.022.257 em 1999. Dez anos depois, havia 624.320 professores atuando com esta formação. Destes, 385.663 estavam em creches, pré-escolas e nos anos iniciais do ensino fundamental; portanto, com formação adequada para essas etapas do ensino, de acordo com o artigo 62 da LDB

Fonte: Nota10 - Notícias Diárias de Educação.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Letra feia não é só pressa ou preguiça. Pode ser disgrafia

SITE VEJA SAUDE
24/06/2010

Com os cadernos de caligrafia fora de moda nas escolas, a letra ilegível deixou de ser marca registrada apenas de médicos e apressados. Atraídos pelo computadores, crianças e jovens tendem a exercitar pouco a letra cursiva - antes treinada à exaustão nas folhas milimetricamente pautadas. Assim, a hora da escrita pode virar um tormento: tanto para quem escreve quanto para quem lê. Nas crianças em idade de alfabetização, no entanto, a atenção de pais e professores deve ser redobrada. Letra feia no caderno pode não ser apenas falta de jeito com o lápis ou caneta, mas, sim, um transtorno de aprendizagem conhecido como disgrafia, que afeta a capacidade de escrever ou copiar letras, palavras e números. O centro do problema está no sistema nervoso, mais precisamente nos circuitos neurológicos responsáveis pela escrita.

“A disgrafia pura ocorre ainda durante a gestação e já nasce com a criança. Ela não é adquirida”, explica Rubens Wajnsztejn, neurologista especializado em infância e adolescência. De acordo com Marco Antônio Arruda, neurologista do Instituto Glia de Cognição e Desenvolvimento, estudos apontam que a disgrafia é mais comum em meninos e é detectada ainda na infância, depois que o processo de alfabetização é consolidado, por volta dos oito ou nove anos. “A disgrafia pode ocorrer em adultos também, mas somente quando ocorre uma lesão, como um derrame, que pode comprometer a coordenação motora de mãos e braços”, afirma o médico. “Mas, nesse caso, já não se trata mais de disgrafia pura”.

Ainda na infância, a dúvida é saber quando a letra ilegível vai além da preguiça ou pressa e deve ser tratada como transtorno. Um teste eficiente é pedir que a criança escreva algumas frases em uma folha sem linhas, conta Raquel Caruso, psicomotricista e coordenadora da Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico (Edac). Se o resultado for uma escrita lenta, com letras irregulares, retocadas e fora das margens, é hora de preocupar-se. Além disso, os disgráficos têm dificuldades em organização espacial: daí, a escrita em que as palavras parecem “subir e descer o morro”.

Os sintomas da disgrafia não se referem exclusivamente à escrita. Alguns outros sinais de alerta podem ajudar os pais antes mesmo da alfabetização dos filhos. “Se você leva a criança a uma festa junina, por exemplo, observe se ela tem ritmo para acompanhar as músicas, memória para fixar os passos e atenção aos movimentos”, diz Raquel Caruso. Se observada alguma dificuldade nesse sentido, é hora de estimular a prática de exercícios físicos como correr e nadar, além de brincadeiras como amarelinha, pintura e recorte para estimular a parte motora dos pequenos. A falta dessas atividades pode comprometer o tônus muscular, piorando a já difícil situação dos disgráficos.

Rendimento escolar – É importante ressaltar que a disgrafia não compromete o desenvolvimento intelectual da criança nem é um indicador de que o Q.I. (quociente de inteligência) dela é baixo. Silvana Leporace, coordenadora do serviço de orientação educacional do Colégio Dante Alighieri, em São Paulo, reforça: “Geralmente, os disgráficos são alunos muito inteligentes. A comunicação oral deles é muito boa, mas, na hora de colocar as ideias no papel, eles têm muita dificuldade”, conta.

É esse desdobramento do problema que pode prejudizar o rendimento do aluno. Devido à dificuldade no ato motor, a criança demora mais a realizar algumas atividades, em comparação a seus colegas. É o caso de tarefas simples como copiar a lição da lousa. Outra situação típica: a professora pede que os estudantes redijam um texto, e o disgráfico, envergonhado pela a letra feia, conclui que nem vale a pena escrever. “Isso abala a autoestima da criança”, diz Sônia das Dores Rodrigues, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Diante do obstáculo, ele deixa de aprender.

Sem o treinamento exaustivo da caligrafia, a atenção na escola deve ser redobrada. “Se o treinamento da letra cursiva existe desde cedo, é possível encontrar os disgráficos. Com a prática em desuso, os professores e pais podem confundir digrafia com preguiça”, alerta Marco Antônio Arruda. “Mas a letra feia pode ser treinada e as crianças tidas como preguiçosas têm as habilidades necessárias para escrever bem. Já as digráficas, não: elas não tem habilidade e precisam de tratamento.”

Como tratar – Assim como em outros transtornos de aprendizagem, o tratamento da disgrafia é multidisciplinar e envolve neurologistas, psicopedadogos, fonoaudiólogos e terapeutas. Medicamentos só são indicados quando existem outros transtornos envolvidos, como déficit de atenção (DDA) ou hiperatividade.

Em relação à parte motora, Raquel Caruso, do Edac, afirma que é necessária uma preparação prévia do paciente, com exercícios mais amplos, para depois chegar à escrita. “O ponto principal é trabalhar com o corpo, com exercícios como manusear a argila e massagens, e depois partir para o específico, que é a escrita e outros problemas, como o de memória”, explica. “Vemos apenas o produto final, que é a letra ilegível, mas existe muita coisa por trás disso”. O tratamento pode levar meses e até anos, variando conforme o caso. O objetivo não é atingir a letra bonita, mas, sim, legível. E dar uma forcinha para o processo de aprendizado das crianças.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Geração Y não abandonará as redes sociais

SITE VEJA VIDA DIGITAL

Um estudo conduzido pelo instituto Pew Internet & American Life Project, nos Estados Unidos, mostra que a esmagadora maioria dos especialistas em tecnologia acredita que as redes sociais são muito mais do que uma moda passageira entre os jovens que nasceram sob a influência da internet, popularmente conhecidos como Geração Y.

Mais de dois terços dos 895 entrevistados - acadêmicos, pesquisadores e executivos de grandes universidades e empresas como Google, Microsoft, Yahoo! e Linux - afirmam que a Geração do Milênio, ou Geração Y, continuará usando as ferramentas sociais quando entrar na fase adulta ou constituir família.

O levantamento faz parte de um estudo maior chamado O Futuro da Internet, que está na sua quarta edição e procura mapear as crenças daqueles que mais influem no desenvolvimento de novas tecnologias. O objetivo principal do estudo identificar as expectativas dos especialistas para a rede entre 2010 e 2020.

Para os pesquisados, "os nativos digitais continuarão usando as redes sociais e revelando na internet informações pessoais, no intuito de se manterem conectados com o mundo nos mais variados aspectos, sejam eles sociais, econômicos ou profissionais. Mesmo quando adultos e com mais responsabilidades, os integrantes desse grupo seguirão compartilhando informações privadas com frequência".

Os especialistas acreditam que as vantagens do compartilhamento de informações íntimas superam as possíveis consequências negativas. Um programador do Mozilla exemplifica: "A menos que os jovens da Geração Y tenham uma epifania coletiva com relação ao valor da privacidade, eles continuarão a negligenciá-la em troca dos benefícios de uma vida digital".

Apenas 29% dos voluntários acreditam que os "nativos digitais" perderão o interesse em sites como Facebook e Twitter no futuro.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Violência escolar ou Bullying?

SITE GUIAINFANTIL.COM

A violência escolar é uma ameaça às crianças. Bullying é uma palavra inglesa que significa intimidação. Infelizmente, é uma palavra que está em moda devido aos inúmeros casos de perseguição e agressões que se estão detectando nas escolas e colégios, e que estão levando a muitos estudantes a viverem situações verdadeiramente aterradoras.

O Bullying se refere a todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro ou outros. O que exerce o "bullying" o faz para impor seu poder sobre outro através de constantes ameaças, insultos, agressões, humilhações, etc., e assim tê-lo sob seu completo domínio durante meses, inclusive anos. A vítima sofre calada na maioria dos casos. O maltrato intimidatório o fará sentir dor, angústia, medo, a tal ponto que, em alguns casos, pode levá-los a consequências devastadoras como o suicídio.
Casos concretos de bullying

O fenômeno da violência escolar está na ordem do dia e preocupa sociedade civil, a nível global. 30 a 35% das crianças portuguesas foram vítimas deste fenômeno nas escolas. O "bullying" é o que mais preocupa. Não é certo afirmar que a violência escolar tenha aumentado a nível global, porém, existem cada vez mais casos flagrantes de agressões físicas e psicológicas praticadas nas escolas, entre alunos e também contra professores que chegam ao nosso conhecimento através da mídia.

Uma pesquisa divulgada em 7 de outubro de 2008 pela organização não-governamental Internacional Plan, , que atua em 66 países em defesa dos direitos da infância, apontou que 70% dos 12 mil estudantes pesquisados em seis Estados brasileiros afirmaram terem sido vítimas de violência escolar. Outros 84% desse total apontaram suas escolas como violentas.
O relatório é parte da campanha global Aprender sem medo, lançada também hoje. O objetivo é promover um esforço mundial para erradicar a violência escolar. O estudo também indicou que cerca de 1 milhão de crianças em todo o mundo sofrem algum tipo de violência nas escolas por dia.

A campanha terá como foco as três principais formas de violência na escola: o castigo corporal, a violência sexual e o bullying, fenômeno definido pelo estudo como "atitudes agressivas, intencionais e repetidas que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro".

Cada país vai moldar a campanha de acordo com a realidade nacional. Comum em todo o mundo, o bullying será o centro das ações no Brasil. Segundo a pesquisa, pelo menos um terço dos estudantes do País afirmou estar envolvido nesse tipo de atitude, seja como agressor ou como vítima. De acordo com o assessor de educação da Plan Brasil, Charles Martins, o castigo corporal, apesar de ainda estar presente nas escolas brasileiras, é mais repreendido do que o bullying.

"Nós identificamos que o bullying é hoje a prática mais presente. Com o conselho tutelar e outras ações externas, o castigo corporal não acontece tão facilmente, já o bullying tem implicações psicossociais nos indivíduos. Mas não se tem essa consciência, é uma temática nova", explica o pesquisador.

O estudo aponta que as vítimas dessa prática perdem o interessem pela escola e passam a faltar às aulas para evitar novas agressões. "Essas vítimas apresentam cinco vezes mais probabilidade de sofrer depressão e, nos casos mais graves, estão sob um risco maior de abuso de drogas e suicídio", diz o relatório.

Martins alerta que o comportamento não é tão fácil de ser identificado, mas pode ser configurado como bullying quando as agressões verbais e emocionais se tornam repetitivas. "O professor precisa identificar em sala de aula as crianças que têm um padrão de vítima como timidez, problemas de rendimento e se tornam em alguns momentos anti-sociais", indica.
Para a organização, as estratégias de combate à violência escolar mais eficientes se concentram na própria escola. Alguns exemplos são o estabelecimento de normas claras de comportamento, treinamento de professores para mudar as técnicas usadas em classe e a promoção da conscientização dos direitos infantis.

A campanha terá início em 2009. Segundo Martins, a ONG buscará o apoio de dirigentes escolares, professores e dos três níveis de governo para a divulgação do tema. Entre as principais ações está o desenvolvimento de oficinas com os alunos em escolas-piloto para desenvolver o chamado "protagonismo infantil".

"Ao final eles serão orientados a implementar na escola um comitê dos direitos das crianças. Eles serão multiplicadores também em outras escolas", explica Martins. O número de escolas ainda não está definido, pois dependerá de futuras parcerias.

Em pesquisa realizada em 2007 especificamente com escolas estaduais em São Paulo, foram detectadas as seguintes conclusões (http://www.udemo.org.br/), com relação à violência contra pessoas, pela ordem, foram as mais freqüentes: briga entre alunos (acima de 80%) – isso reflete o que está acontecendo fora da escola; desacato a profissionais da escola (também acima de 80%), porte ou consumo de bebidas alcoólicas (63%), tráfico ou consumo de drogas (36%), invasão de estranhos (54%), ameaças de morte contra profissionais da escola (30%) e porte ou uso de arma (14%).

A pesquisa também abrangeu a violência contra os bens materiais da escola, como (em ordem de maior frequência): depredação, pichação, arrombamento, dano a veículo, furto e explosão de bombas.

Por Pablo Zevallos

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O que (quase) ninguém vê

SITE REVISTA EDUCAÇÃO- EDIÇÃO 158

Um levantamento inédito sobre a violência no ambiente escolar brasileiro apontou, em abril deste ano, que 70% dos alunos entrevistados já haviam presenciado, pelo menos uma vez, maus tratos a colegas na sala de aula. Aqueles que informaram ter visto colegas serem maltratados várias vezes por semana somam quase 9%, enquanto 10% viram atos violentos todos os dias. Mais: das cinco regiões do país, a Sudeste é a que apresenta maior frequência de maus tratos entre colegas, seguida por Centro-Oeste e Sul.

Realizada pela ONG Plan Brasil, a pesquisa Bullying escolar no Brasil foi realizada entre os meses de outubro e dezembro de 2009 e envolveu 5.168 estudantes de 5as, 6as, 7as e 8as séries de 25 escolas públicas e particulares nas cinco regiões do país, além de professores, funcionários, diretores e coordenadores de escolas e pais de alunos. Os resultados da pesquisa servirão de subsídio para a campanha Aprender sem Medo, ação global que pretende erradicar a violência nas escolas. "A campanha teve início em 2008 e no Brasil escolheu esse tema por ele ser pouco estudado e difundido em nossas escolas", explica a consultora da Plan, Cleo Fante.

O bullying, termo inglês que significa intimidação, compreende atitudes agressivas de todas as formas, praticadas de maneira intencional e repetitiva. Executadas em uma relação desigual de poder, ocorrem sem motivação aparente, causando dor e angústia na vítima. Embora tenha se tornado bastante recorrente na mídia a partir da década de 1990, o bullying não é um fenômeno novo. Na literatura, o escritor austríaco Robert Musil narrou esse tipo de maus tratos em O Jovem Törless, publicado em 1906. A vítima era Basini, aluno de um colégio interno flagrado ao roubar outro colega. Como forma de repreensão, dois estudantes decidem aplicar-lhe castigos humilhantes.

"O bullying sempre existiu, mas era tratado como uma forma de violência sem características próprias", comenta a professora Luciene Tognetta, do Departamento de Psicologia Educacional da Faculdade de Educação (FE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "O olhar da ciência se volta às peculiaridades do bullying que o tornam mais sério do que outras formas de violência: é repetido e a vítima tem força para suportá-lo", completa. Segundo Cleo Fante, a gravidade do bullying e seu prejuízo eram considerados brincadeiras próprias da fase do amadurecimento do indivíduo. Essa interpretação foi desmistificada por estudos desenvolvidos pela Universidade de Bergen, na Noruega, durante a década de 80, que alertavam sobre a existência de um fenômeno velho e novo. O material também apontava que o bullying exigiria a atenção e a preocupação não só dos profissionais das escolas, mas dos pais e da sociedade como um todo.

A escola e o bullying
De acordo com a pesquisa, quando docentes e gestores foram questionados sobre as possíveis causas de bullying no ambiente escolar, transferiram para as famílias o dever de evitar esses episódios na escola, e vice-versa. Entretanto, muitos pais assumiram uma parcela da culpa ao perceber que famílias negligentes também são uma das causas dos maus tratos, pois é por meio da agressividade que a criança busca a atenção de adultos e colegas. Luciene Tognetta acredita que a escola precisa de um espaço para a discussão do tema em vez de recorrer a ações paliativas, como a suspensão do agressor. "É responsabilidade da instituição prevenir e tratar o bullying, auxiliando o professor a identificar o problema para que ele ajude vítimas e agressores a compreender as regras", opina.

Regina de Andrade, que leciona língua portuguesa em uma escola estadual da zona leste de São Paulo, concorda. "O professor tem de agir como professor, e não apenas passar a matéria e ensinar. A maioria não quer se envolver", diz. Ela também reconhece que a falta de autoridade na escola - apontada por pais durante a pesquisa - resulta em excesso de liberdade e permite a impunidade dos agressores, estimulando a repetição da violência. "Depois de muita insistência dos professores, o coordenador chama o aluno. Se continuar, os pais são convocados", conta.

O que mais chama a atenção dos pesquisadores é o local de maior incidência dos ataques. Segundo as vítimas entrevistadas pelo estudo, no Brasil o local mais usado é a sala de aula, com ou sem o professor, seguido do pátio. Em outros países a preferência é pelo pátio e locais de menor visibilidade, como banheiros e corredores. "Esse indicador alerta para a dificuldade do adulto em identificar o bullying como também para a forma de organização da própria escola e de sua equipe, que necessita de treinamentos específicos para identificar, intervir e prevenir o fenômeno", destaca Cleo.

Perfil das vítimasPara a maioria dos alunos entrevistados (16,84%), a principal motivação do agressor para maltratar um colega é querer ser popular. No entanto, muitos não souberam comentar o porquê desse tipo de violência nas escolas (11,59%). Algumas situações de agressão surgem da dificuldade em estabelecer limites para as brincadeiras, muitas vezes sem que os próprios envolvidos percebam a gravidade da situação. A manifestação mais frequente de maus tratos entre alunos, conforme o estudo, é a agressão verbal por apelidos e xingamentos, sendo vários deles gratuitos e, geralmente, relacionados à aparência (altura, sobrepeso, padrões de beleza, cor da pele, uso de óculos ou aparelhos dentários) ou às necessidades especiais.

Regina de Andrade corrobora os dados da pesquisa no dia a dia. Em sua escola, as vítimas de bullying costumam ser garotos e garotas com característica físicas como sobrepeso, altura elevada, cabelos crespos e cor da pele. Além disso, estudiosos e introspectivos, estereotipados como nerds, também sofrem com os agressores.A maioria das vítimas do bullying declarou nada fazer após os maus tratos. Eles se sentem magoados (6,6%), comportamento que pode levar à repetição da violência, já que preserva os agressores. Porém, muitas vítimas procuram se defender sozinhas (6,3%). Menos de 10% dos alunos entrevistados buscam ajuda dentro da escola, seja falando com o diretor ou com um professor.

Quanto aos sexos, meninos e meninas são afetados de modo diferente por esse tipo de violência. O que os meninos expressam sentir após serem maltratados revela que talvez eles estejam querendo mascarar seus sentimentos para não demonstrar fraqueza. Dizem "achar engraçado", "não sentir nada" e que "se sentem bem". As meninas admitiram ter se sentido magoadas, chateadas, tristes e até com medo. "É possível inferir que isso decorre da dificuldade dos meninos em assumir emoções ligadas ao sofrimento causado pela situação, tendendo a mostrar-se indiferentes ou pouco impactados pelas ações agressivas", afirma o relatório. As formas de bullying também variam de acordo com o sexo, como observa Luciene Tognetta, da Unicamp: ao praticá-lo, as meninas são mais sutis, abandonando colegas, formando "panelinhas" e diminuindo o outro moralmente. Os meninos usam a força física e a imposição.

Regina de Andrade relata o caso de um garoto autista do 2º ano do ensino médio, que servia de meio para uma aluna provocar outro colega da mesma sala: ela pedia para ele fazer as "brincadeiras" com o outro aluno, pois assim a culpa não seria dela. "Os alunos acabavam ensinando o que era errado para ele", conta. A atitude mais comum nas escolas em geral é a convocação do responsável, que só acontece quando a situação se agrava. "A maioria dos pais defende o filho e não acredita no professor", diz, relembrando o caso do aluno que colocou laxante em uma garrafa de refrigerante e deixou em cima da carteira para os colegas. Quem se aproximasse e pedisse para beber, ele deixava. Ao ser chamado pela coordenadora e informado do que o filho havia feito, o pai simplesmente riu.
Lucie Ferreira

terça-feira, 29 de junho de 2010

Os filhos da geração digital

SITE DO JORNAL A RAZÃO - Santa Maria

Os jovens nascidos nos anos 80 e 90, contemporâneos da revolução digital e conhecidos como geração Y, são inquietos e querem crescer rápido na carreira. São especialistas em lidar com tecnologia, usam mídias sociais com facilidade, sabem trabalhar em rede e estão sempre conectados. Mas se preocupam com o mercado de trabalho altamente competitivo e buscam cada vez mais a formação superior e o ingresso na carreira pública como passaporte para a estabilidade profissional.

Os dados fazem parte de uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Mercados de Capitais (Ibmec), iniciada em 2007, que mapeou em profundidade um grupo de estudantes de administração de várias instituições de ensino superior e mostrou que, apesar das semelhanças, esses jovens não têm um perfil homogêneo. A geração Y sucede a chamada geração X, das pessoas que hoje estão na casa dos 40 anos de idade, e que sucederam a geração dos baby boomers, nascidos depois da 2ª Guerra Mundial, hoje com 60 anos ou mais. “Esses jovens, por serem altamente tecnológicos, têm uma relação com a comunicação diferente da geração anterior. Um jovem hoje consegue ver televisão, trabalhar no computador, conversar no MSN [programa de bate-papo pela internet] e ainda ouvir uma musiquinha. Essa característica, as gerações anteriores não têm”, comparou a economista Lúcia Oliveira, professora da graduação em administração do Ibmec.

A pesquisa coordenada por ela constatou que os jovens da geração Y podem ser divididos em quatro perfis distintos, conforme a visão sobre a vida e o trabalho: engajados, preocupados, céticos e desapegados. “Todos esses jovens veem o mercado de trabalho brasileiro como altamente competitivo. Para eles, encontrar emprego não é fácil, nem simples”, ressaltou a economista, que ouviu 31 estudantes em pesquisa qualitativa, com entrevistas individuais de até uma hora e meia.

Os engajados aceitam as condições do mercado de trabalho sem questionamentos e centralizam a vida na carreira profissional. Os preocupados também dão excessiva importância à carreira, mas têm ambições mais modestas. Os céticos são críticos do mercado privado, por considerarem que há uma competição exagerada e nociva, e preferem as carreiras públicas ou acadêmicas. Os desapegados dão menos importância ao trabalho do que às atividades ligadas à família e ao lazer, e visam as empresas públicas.

O contato com o grupo também levou a professora a constatar outras características típicas dos jovens nascidos nos anos 80 e 90, como a informalidade nas relações pessoais – menos hierarquizadas – e a facilidade de trabalhar em grupo, formando redes, em tarefas colaborativas, que não precisam nem ser feitas no mesmo espaço, mas pela internet.

“Eles estão acostumados a trabalharem em conjunto. Quando se tornarem líderes, vão priorizar a flexibilidade de horários e as novas formas de trabalhar. Um exemplo de empresa jovem é a Google, onde as pessoas não têm que bater ponto e está sendo muito bem sucedida, com um modelo de gestão diferente. Os mais velhos vieram de uma época em que as relações se davam no nível pessoal e não no virtual. A geração Y está habituada a se comunicar, a se integrar e a colaborar virtualmente”, explica ela.