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terça-feira, 17 de agosto de 2010

Brasileiro gosta de inovações, mas teme adotá-las

SITE DIÁRIO DA SAÚDE

Você imagina que há alguma diferença entre Brasil, Holanda, Suécia, Alemanha e Reino Unido na hora que uma pessoa de cada um desses países resolve fazer uma compra pela internet?

O pesquisador Abrão Caro, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, escolheu esses países para analisar como é o perfil de cada nacionalidade ao adquirir produtos por meio do computador.

Tendo os estudantes universitários como alvo de seu estudo, o pesquisador se interessou em encontrar fatores que influenciam uma pessoa a optar pela compra via internet.

Segundo o estudo, o comportamento na compra online exibe os perfis de cada nacionalidade.

Variáveis de comportamento
As variáveis que foram utilizadas por Caro para embasamento de sua tese e que diferenciaram os países analisados foram elaboradas pelo psicólogo holandês Geert Hofstede.

São elas: nível de desigualdade no país (PDI), individualismo (IDV), masculinidade (MAS) e aversão junto à incerteza (UAI). "Essas variáveis também farão diferença ao traçar o perfil de quem compra pela internet em cada país", conta o pesquisador.

Os valores dessas variáveis são numéricos, portanto é possível comparar diversos países para entender melhor o comportamento de cada um. Por exemplo: ao confrontar os dados de Brasil e Suécia, percebe-se que a cultura nacional faz com que os dois países tenham características praticamente opostas.

Em termos de desigualdade, o Brasil atinge o número 69, e a Suécia, 31, o que mostra que o segundo país é mais igualitário. Observando o individualismo, a Suécia teve o número mais alto: 71 contra 38 do Brasil.

Masculinidade

O dado mais contrastante é o de masculinidade: apenas 5 da Suécia contra 49 do Brasil. "O número mais baixo mostra que esse país preza mais pela qualidade de vida, e não tanto pelo poder", afirma Caro.

A Suécia também se mostra um país muito mais seguro de si do que o Brasil: a aversão do brasileiro junto à incerteza chegou a 76 pontos, enquanto os suecos ficaram em apenas 35 pontos.

"O Brasil é um país que se cerca de leis e regras diante de uma incerteza. Os países europeus, porém, têm uma população mais segura de si, que saberá lidar com esses impasses", explica Caro, que exemplifica a variável com a lei do assento preferencial em transportes públicos. "Não seria preciso uma lei se todos tivessem consciência de que idosos, gestantes, pessoas carregando crianças no colo e deficientes têm preferência para ocuparem os assentos."

Psicologia Social

A partir desses dados, o pesquisador analisou o que leva o consumidor online a ter a atitude de compra. Caro, baseando-se em teoria da Psicologia Social, concluiu que três fatores eram os que mais influenciavam a intenção e, consequentemente, a adoção da compra: a predisposição para comprar, a pressão social e o que o pesquisador chama de controle percebido.

"É o mesmo tipo de análise que alguém faz, por exemplo, quando quer parar de fumar: primeiro, há o desejo de parar de fumar. Além disso, a sociedade se manifesta contra os fumantes: lei antifumo e fumódromos são fatores de pressão social. Por fim, o controle percebido é a dúvida. A pessoa quer parar de fumar, é pressionada a isso, mas não sabe se consegue. Se o controle percebido é baixo, ela tem menos dificuldade em parar", explica.

Essa atitude de compra, todavia, também tem seus antecedentes. Entre eles está a compatibilidade com o estilo de vida da pessoa: será que comprar pela internet é a forma mais cabível e vantajosa?

Nos países europeus, o antecedente que mais se destaca é o envolvimento. É ele que mostra que o continente europeu já lida com grande naturalidade com a internet. Já no Brasil, o que se destaca é a inovatividade, já que a adoção da internet como meio para compra ainda é uma grande novidade no país.

Personalidade brasileira

Para ilustrar a distribuição dos adotantes de uma inovação, Caro se utilizou de uma curva de Gauss.

O Brasil, nessa curva, está nos adotantes iniciais das inovações da internet, o que mostra que a sociedade brasileira está, crescentemente, aderindo a novidades da rede. A maioria dos países europeus, porém, está na segunda metade da curva, em que os adotantes não imediatos são maioria na sociedade.

Por meio de todos os dados explicitados, então, Caro concluiu que o brasileiro é uma pessoa que vive em uma sociedade desigual, que está crescentemente se interessando pelas inovações e pela posse. Porém, ainda é uma pessoa cheia de incertezas e receios em relação às novidades sobre as quais tem tanta curiosidade.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Apoio da família é essencial para melhorar desempenho dos filhos na escola

COLUNA BEM-ESTAR DO SITE DO JORNAL ZERO HORA

O apoio dos pais é fundamental para ajudar as crianças a se adaptarem à rotina escolar e a conseguir melhores resultados em seu desempenho pedagógico. Segundo a pedagoga Francisca Giacometti Paris, diretora pedagógica do Agora Sistema de Ensino, educar é uma atuação mais abrangente do que ensinar e transmitir conhecimentos. Para ela, os pais não podem estar distantes da vida escolar de seus filhos.

— É comum que pais que trabalham fora de casa acabem se afastando dos fazeres escolares dos filhos, com a justificativa de estarem muito atarefados. Mas é preciso entender que, mesmo com papéis diferentes, a escola e a família têm o objetivo comum de educar a criança para a vida em sociedade. Já que têm o tempo limitado, os progenitores devem investir em um relacionamento de qualidade, e não de quantidade, no qual os aspectos específicos da escola sejam também contemplados — explica Francisca.

Para a especialista, é possível que o núcleo familiar se integre a este processo de diversas maneiras. O pai e a mãe podem, por exemplo, auxiliar nas lições de casa e nos trabalhos escolares em um local sossegado da casa, dando dicas, indicando pesquisas, relendo e comentando as atividades realizadas e mesmo resolvendo alguma dúvida. Porém, eles devem evitar cair na tentação de fazer o trabalho pelo estudante, uma vez que a tarefa é de responsabilidade do aluno, que deve estar apto a realizá-la com autonomia.

Incentivar a leitura e o gosto por programas culturais desde cedo e participar dos eventos que acontecem na escola, como reuniões de pais e mestres e festas, são outras ações importantes para conhecimento e integração com os professores e demais famílias daquela comunidade escolar. Também vale explorar o novo universo que se abre aos filhos e aprender — ou relembrar — assuntos relacionados a números, plantas, animais, história e geografia, entre outros. Ao perceber que é acompanhada nesse processo de desenvolvimento educacional, a criança se sente valorizada e importante na vida familiar.

Muitas vezes, ajudar o pequeno a ter um bom desempenho na escola é uma questão apenas de ouvir seus problemas — mesmo os que parecem irrelevantes — elogiá-lo e repreendê-lo quando necessário, orientando-o em cada situação.

—Para os estudantes obterem bons resultados na escola, algumas palavras-chave são fundamentais, como: estrutura, disciplina, desafios, reconhecimento, motivação, limites, escolhas, segunda chance, compreensão, respeito e muito amor — defende a pedagoga.

Uma dica importante é que os pais não esperem que os filhos obtenham nota máxima em todas as áreas de conhecimento, mesmo que sejam ótimos alunos. O importante é que eles tenham bom desempenho, independentemente do ranking da sua turma.

— Quando os pais têm expectativas muito rígidas em relação às crianças, elas podem se frustrar por imaginarem que precisam alcançar padrões inatingíveis para conseguirem aprovação dos adultos. Contudo, é preciso que os responsáveis vejam os grandes esforços dos pequenos como boas atuações, mostrando a eles a importância de se esforçarem para aprenderem o que precisam, aceitando suas limitações — afirma Francisca.

— É necessário estabelecer limites e também cumpri-los, sem ceder diante das chantagens emocionais infantis, e chegar a um meio termo entre a permissividade e o autoritarismo, equilibrando o 'tudo pode' com o 'nada pode' e justificando o porquê das regras. Assim, eles aprendem desde cedo a fazer renúncias, a respeitar os direitos das outras pessoas e a conviver com frustrações — ensina a pedagoga.

Também vale ressaltar que um bom desempenho escolar não deve ser condicionado à entrega de mesadas ou presentes em função das boas notas ou após o término do dever de casa. Desse modo, os responsáveis ajudam as crianças a se tornarem independentes e preparadas para as obrigações da vida adulta.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Mais de 35% acreditam que a educação forma bons cidadãos

SITE G1

Quase 36% (35,7%) dos brasileiros acreditam que a educação tem a finalidade de formar bons cidadãos, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O dado faz parte do terceiro caderno do Relatório de Desenvolvimento Humano Brasileiro 2009/2010, divulgado nesta terça-feira (10).

O Relatório de Desenvolvimento Humano Brasileiro 2009/2010 apresenta políticas de valor nas áreas de família, escolas e trabalho, ou seja, traz propostas do que o cidadão pode fazer nesses âmbitos para um cotidiano melhor. O documento deve ser encaminhado a universidades e órgãos do governo para estimular, segundo Flávio Comim, economista do Pnud Brasil e coordenador do Relatório, uma discussão aberta sobre os aspectos levantados.

No setor da educação, o levantamento perguntou aos alunos, famílias e professores qual a finalidade do estudo. Para 30,5% dos entrevistados, a educação é importante para conseguir um emprego. Já 23,3% das pessoas acreditam que os estudos formam uma boa pessoa; e 10,5% acreditam que a educação é importante para uma boa vida.

"A educação é uma variável com poder de transformação social, então perguntamos para cada um desses grupos [alunos, famílias e professores] qual a finalidade da educação. Se apenas para conseguir um emprego, ou se contribui para o desenvolvimento do cidadão", diz Comim.

Relatório
O primeiro caderno do Relatório de Desenvolvimento Humano Brasileiro 2009/2010 foi o Brasil Ponto a Ponto, que pretendia estimular o debate sobre o que a população espera de mudanças para uma vida efetivamente melhor. Já o segundo foi o Mostre Seu Valor, que ajudou a definir os valores mais importantes para a população brasileira.
Esses estudos foram fundamentais, segundo Comim, para a elaboração das questões que seriam respondidas na constituição do IVH, o Índice de Valores Humanos. O indicador, que é inédito, também divulgado nesta terça, pretende traçar o perfil da população brasileira nas áreas de saúde, educação e trabalho, segundo a percepção da própria população.

O IVH-Educação avalia as vivências dos alunos, famílias e professores nas escolas do país, abrangendo tanto instituições públicas quanto particulares, sem distinção. O IVH-Educação no Brasil é de 0,54. Sul e Sudeste têm as melhores vivências no setor, com índice de 0,55. Centro-Oeste tem IVH-Educação de 0,54; Nordeste, de 0,53; e Norte, 0,47.

O Índice de Valores varia de 0 a 1, sendo maior o valor mais próximo de 1. O cálculo é baseado em entrevistas feitas pelo Instituto Paulo Montenegro, ligado ao Ibope, com mais de 2 mil pessoas. A pesquisa foi feita de forma amostral em 148 cidades.

Espaço atrativo nas escolas

O relatório utiliza a percepção da população para apontar medidas que melhorem as vivências nas escolas. Segundo Flávio Comim, entre os caminhos sugeridos estão a melhoria no espaço físico das escolas, para favorecer a experiência coletiva entre os estudantes.

"O material traz práticas, orientações de como a família pode contribuir para reduzir a violência e melhorar a relação com a escola. Uma das soluções propostas é organizar tempos e espaços para permitir que os pais estejam mais presentes e envolvidos na rotina dos filhos. A família é fundamental para o desempenho das crianças na escola", diz o economista.

Para promover melhores relações e resultados nas escolas, o relatório propõe medidas simples, como chamadas pelo nome, atividades esportivas e jogos cooperativos. "Tudo isso resgata a inclusão, a diversão e desperta o interesse do aluno pelo ambiente escolar. Estamos abrindo caminhos, apontando soluções. Cabe a nós informar", afirma.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Crianças e adolescentes do Sul do país têm menor risco de transtorno mental

COLUNA BEM-ESTAR DO JORNAL ZERO HORA

Detentor dos maiores índices de qualidade de vida do país, o sul do Brasil acaba de ganhar um novo título: é a região onde crianças e adolescentes correm menos risco de desenvolver transtornos que afetem sua saúde mental e seu bem-estar.

A conclusão é do Projeto Atenção Brasil, uma pesquisa desenvolvida em 81 municípios brasileiros que investigou mais de 5,9 mil alunos dos ensinos Fundamental e Médio de escolas públicas e privadas.

Idealizado pelo Instituto Glia, especializado na área de Neurociências aplicadas à Educação, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e o Albert Einstein College of Medicine (EUA), entre outras entidades, o estudo foi divulgado durante o 3° Congresso Aprender Criança, encerrado no domingo em Ribeirão Preto (SP).

No Sul, o levantamento mostrou que apenas 10,8% das crianças e adolescentes têm chances de sofrer de algum tipo de doença mental. No Sudeste, o índice chega a 14,2% e nas demais regiões a 15%. Os sulistas também superaram a média nacional, de 12,7%.

A explicação para isso, segundo o neurologista da infância e adolescência e coordenador do projeto, Marco Antônio Arruda, pode estar em fatores socioeconômicos e culturais. De um lado, a região apresenta taxas de desigualdade social menores. De outro, o grau de instrução dos pais sulinos é um dos mais altos do Brasil.

— Não é possível dizer com exatidão por que o Sul ficou com o melhor índice, mas a pesquisa mostrou que a saúde mental está diretamente ligada com a qualidade de vida. Isso explica muita coisa — afirma Arruda.

No Rio Grande do Sul, conforme o doutor em Neurologia pela USP, três municípios fizeram parte do levantamento: Caxias do Sul, na Serra, Tupanciretã, na Região Central, e Taquara, no Vale do Paranhana. Embora capitais como Rio e São Paulo tenham sido incluídas, Porto Alegre ficou de fora. Não foram divulgados dados específicos por cidade ou Estado.

Em termos regionais, o Sul também apareceu como a região com o maior índice de crianças e adolescentes classificados como "irrequietos" e "agitados" por seus responsáveis. A característica foi apresentada por 31,1% dos estudantes, contra 28,4% no Sudeste e 23% nas demais regiões.

Para o coordenador de Saúde Mental Cláudio Meneghello Martins, do Centro de Estudos de Literatura e Psicanálise Cyro Martins, na Capital, o resultado deve ser visto com cuidado. O fato de serem consideradas mais inquietas não significa que as crianças sulinas sofram mais com transtorno de déficit de atenção, por exemplo. Às vezes, significa apenas que elas são crianças.


Por Juliana Bublitz

Personalidade pode ser determinante na escolha da hora de ser mãe

COLUNA BEM-ESTAR DO JORNAL ZERO HORA

Até hoje, a sabedoria convencional e algumas pesquisas confirmavam que, quanto mais educada era a mulher, mais provável que ela adiasse o momento de se tornar mãe. Entretanto, um novo estudo sugere agora que o tipo de personalidade pode ser um determinante ainda mais poderoso que a escolaridade.

De acordo com um relatório do Instituto de Pesquisa Social e Econômica, do Reino Unido, a extroversão, as neuras e a amabilidade em excesso aceleram o desejo de uma mulher de ter um filho. Por outro lado, "pensar demais" e ter uma cabeça aberta são características associadas a protelar o nascimento do primeiro rebento.

No estudo, cinco traços de personalidade foram cruzados com a idade em que mais de 16 mil mulheres tiveram o primeiro filho. Lara Tavares, autora do estudo Quem atrasa a gravidez? Relacionamento entre fertilidade, educação e traços de personalidade usou dados do British Household Panel Survey (BHPS) coletados no decorrer dos últimos cinco anos.

Há, em média, uma diferença de dois anos entre a idade média do primeiro parto de mulheres com e sem alto nível de instrução. Os traços de personalidade ajudariam a explicar a diferença de tempo da maternidade entre mulheres de diferentes níveis de educação:

— A maioria dos estudos encontra evidência de uma relação positiva entre educação e idade no primeiro. Entretanto, os traços de personalidade influenciam tanto as decisões relativas à educação quanto à fertilidade. Em segundo lugar, mulheres mais educadas e com mente mais aberta, adiam severamente a hora da gravidez, e, assim, aumentam a idade média de dar à luz o primeiro filho no grupo de mulheres — explica a pesquisadora.

No mundo inteiro a idade em que as mulheres engravidam vem aumentando. Na Inglaterra e no País de Gales, a idade média do primeiro parto saltou de 25,2 anos, em 1980, para 30,2 anos em 2006, uma das mais altas na Europa.

Cada uma com suas características

De acordo com as categorizações do BHPS, a extroversão é caracterizada principalmente pela sociabilidade, com pessoas extrovertidas tendendo a ser falantes e assertivas. Pessoas amáveis, por exemplo, estão relacionadas à vontade do sujeito em ajudar os outros — sendo cuidadosos, cooperativos e gentis.

O estado "neurótico" indica a estabilidade emocional do sujeito, e está geralmente ligado à ansiedade, depressão e insegurança. Aquelas classificados como "muito pensantes" tendiam a seguir regras, serem confiáveis, bem-organizados e auto-disciplinadas. As mulheres de mente aberta tendiam a gostar de não terem amarras, de serem livres, não atreladas a pessoas, lugares ou obrigações — e podiam ser rebeldes.

— Pessoas de mente mais aberta podem ser menos vulneráveis à pressão social para ter filhos — diz a pesquisadora Lara — Pois pessoas que têm alto escore em abertura geralmente têm interesses vastos, e menos probabilidade de serem excessivamente orientadas em direção a formar uma família.

Consequentemente, podem valorizar mais suas carreiras e, assim, enfrentar maiores problemas psicológicos em uma gravidez. Taxas de fertilidade decrescentes estão associadas a uma transição para um modelo familiar individualista, caracterizado pelo auto-desenvolvimento, pela autonomia individual e pela igualdade entre os sexos.

Em outras palavras, é uma mudança de valores que resultou na atribuição de um peso maior às preferências individuais. Ou, para colocar de outro modo, à abertura.

Tradução: Fernanda Grabauska

Cai o número de matrículas no Ensino Médio no Estado

SITE DO JORNAL ZERO HORA

O Ensino Médio está perdendo o interesse entre os gaúchos.Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) indica que o número de matrículas vem caindo quase sete vezes mais do que a população na faixa etária correspondente. A situação é agravada pelos altos índices de reprovação e abandono escolar na rede estadual – que deixam o Rio Grande do Sul na terceira pior posição nacional do ranking de aprovação no Ensino Médio.

Otrabalho do Grupo de Estudos sobre Universidade da UFRGS demonstra que, entre 2005 e 2008, o número de matrículas caiu 11% no Estado – enquanto a queda média nacional foi de 6,9%. Essa retração não pode ser atribuída a mudanças no perfil demográfico.

Nesse mesmo período, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou uma redução bem menor na faixa etária adequada ao Ensino Médio no Rio Grande do Sul: a população entre 15 e 17 anos recuou 1,6%.

– Há um desinteresse no Ensino Médio devido à perda de identidade dessa modalidade. Hoje, ele representa algo apenas para quem quer seguir o Ensino Superior. Muitos alunos deixam a escola para trabalhar e aumentar a renda familiar. Entre as mulheres, há o problema da gravidez na adolescência – interpreta o sociólogo Bruno Morche, um dos autores do estudo.

De cada cem alunos, apenas 65 se formaram em 2008

O levantamento demonstra ainda que o percentual de gaúchos que concluem o ano letivo, em comparação com o número de ingressantes, fica abaixo da média nacional. Em 2008, 83 mil estudantes terminaram o Ensino Médio, enquanto 180 mil ingressaram nele – um índice de 46%. Nacionalmente, os concluintes representam 51,7% das novas matrículas.

Registros do Ministério da Educação apontam outros obstáculos do antigo ensino secundário. No ano passado, de cada cem alunos que ingressaram no colégio, somente 65 se formaram. Isso deixa o Rio Grande do Sul em uma incômoda 25ª posição – à frente apenas de Sergipe e Rio de Janeiro. Dados da Secretaria Estadual da Educação (SEC) permitem concluir que, dos 35 estudantes gaúchos que não avançam de ano, 21 são reprovados, e 14 deixam a escola.

Santa Catarina aprova quase o dobro de alunos

Uma comparação com Santa Catarina, que tem o melhor fluxo do país, escancara o mau desempenho rio-grandense: no Estado vizinho, 81,6% dos alunos do Ensino Médio conseguem concluir o ano. Isto significa que apenas 18 de cada cem colegas são reprovados ou deixam o colégio.

Esses indicadores formam o principal obstáculo a um melhor desempenho da rede pública rio-grandense no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) – indicador de qualidade utilizado pelo governo federal composto por notas em exames de português e matemática e pelo índice de aprovação dos alunos. Os rio-grandenses têm as melhores notas no país entre os alunos das redes estaduais, mas seu desempenho acaba comprometido pelo fluxo estudantil.

O secretário estadual da Educação, Ervino Deon, admite preocupação com o problema.

– A escola tem de ser mais atraente, ter um significado maior para estes jovens – afirma.

Deon lembra que o governo estadual procura investir na infraestrutura escolar e na formação dos professores a fim de melhorar a frequência e o desempenho do aluno.

Para a professora da Faculdade de Educação da UFRGS Nalú Farenzena, porém, o assunto deve ser tratado como prioridade.

– Os dirigentes educacionais têm de procurar saber quais são os fatores que levam a essas taxas e procurar incidir neles – aponta.

Escola muda e atrai aluno

A fuga do Ensino Médio pode ser estancada, como demonstra o exemplo de um colégio da rede estadual de Porto Alegre. Graças a uma administração centrada na frequência e no desempenho dos alunos e a mudanças estruturais, a instituição conseguiu reduzir a taxa de abandono escolar de 36% para 12% em três anos.

Localizado no bairro Partenon, e com 1,6 mil alunos, o Instituto Estadual de Educação Paulo da Gama começou a mudar sua situação com o auxílio de uma parceria com o Instituto Unibanco, que garante R$ 100 ao ano por aluno para melhorias de infraestrutura, projetos especiais com os estudantes e com os professores.

A direção também estabeleceu planilhas para acompanhar diariamente eventuais faltas de alunos. Quando é detectada uma ausência, a família é procurada.

Quem mora longe pode até receber auxílio para pagar as passagens de ônibus. Os estudantes com menor número de faltas e melhor desempenho recebem prêmios, como ingressos para teatro, cinema e passeios.

– Procuramos trabalhar a auto-estima e a disciplina por meio de um rigoroso controle de frequência – explica a diretora, Nilse Christ Trennepohl.

Disciplina rígida para evitar brincadeiras em aula

Outra medida foi eliminar as inscrições para o período noturno. Conforme Nilse, a maioria dos estudantes pretendia apenas garantir matrícula para comprar passagens de ônibus com desconto ou conseguir um estágio remunerado. Ao longo do ano, iam abandonando o colégio até deixarem as salas quase vazias.

A disciplina também é rígida: ninguém fica de boné na sala de aula, a fim de evitar que o rosto escondido estimule brincadeiras fora de hora. Óculos escuros são proibidos para facilitar a identificação dos alunos.

Como resultado, a instituição está conseguindo até trazer de volta antigos estudantes evadidos. Gisele Moreira da Silva, 28 anos, deixou os estudos devido à gravidez. Hoje, como os filhos já têm 11 e nove anos, retomou o Ensino Médio no Paulo da Gama.

– Quando todo mundo se esforça, a gente também se sente mais estimulada a estudar. E, com mais estudo, a gente tem chance de conseguir uma vida melhor – resume.


Por Marcelo Gonzatto

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Pesquisa aponta que maioria dos brasileiros é contra proibir palmadas

SITE DO JORNAL ZEROHORA - Porto Alegre

O projeto de lei enviado ao Governo Federal quer proibir castigos corporais a crianças e adolescentes

Uma pesquisa feita pelo Datafolha, publicada nesta segunda-feira (26), relata que a maioria dos brasileiros já apanhou, já bateu nos filhos e é contra o projeto de lei que quer proibir castigos físicos em crianças. O presidente Lula é favorável à proposta que foi enviada ao Congresso no começo do mês e que "estabelece o direito da criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos corporais ou de tratamento cruel ou degradante". Dos 10905 entrevistados, 54% disseram ser contra o projeto de lei.

Os outros 36% disseram que concordam com a mudança. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa também aponta que meninos costumam apanhar mais e que as mães batem mais em seus filhos do que os pais. No total, 72% dos entrevistados disseram ter sofrido castigo físico, destes 16% afirmaram que isso acontecia sempre.

As informações são da Folha

sexta-feira, 23 de julho de 2010

OMS estima que 2,5 milhões de alunos no Brasil têm superdotação

Comunicação Portal Social

Apresentar habilidade acima da média em determinada área do conhecimento, alto nível de criatividade e dedicar muito tempo a certa atividade. Estas são as principais características de uma criança que tem altas habilidades. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 2,5 milhões de alunos no Brasil têm essas características. E a legislação determina que eles devem receber tratamento especial.

Para tanto, em 2005, a Secretaria de Educação Especial (Seesp) implantou o Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAHS) em todos os estados brasileiros. Porém, a maioria dessas crianças, por diversos motivos, não recebe atendimento diferenciado. E, sem atenção especial, o potencial deles é desperdiçado. Segundo a presidente do Conselho Brasileiro para Superdotação (Combrasd), existem poucas salas do NAAHS e a demanda é grande.

Fonte: Andi

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Os segredos das escolas gaúchas com melhor desempenho no Enem 2009

Quais são e como trabalham as cinco instituições do RS de maior destaque no exame

Quatro escolas privadas e uma instituição federal obtiveram as melhores notas na edição de 2009 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no Rio Grande do Sul. O ranking oficial, divulgado hoje pelo Ministério da Educação, revela que a elite da educação brasileira e gaúcha ainda se concentra nas redes particular, federal e de ensino técnico. Graças aos seus resultados, os alunos dessas escolas tiveram acesso a mais e melhores vagas nas universidades públicas.

De forma inédita, o resultado do Enem de 2009 foi utilizado ao longo de 2010 como critério para seleção de novos alunos. No começo do ano, foram oferecidas 47,9 mil vagas em 51 instituições. Em junho, 35 instituições ofereceram 16,5 mil vagas para o segundo semestre letivo

1° Colégio Sinodal - São Leopoldo

A formação do solo gaúcho é conhecida em uma viagem a Santa Maria.
A descoberta da fauna e da flora ocorre durante aulas de mergulho em Santa Catarina.
Uma expedição ao frio de Gramado serve para estudar o clima.

Tirar os alunos da sala de aula e levá-los para conhecer de perto a realidade que estão estudando é um dos segredos do Colégio Sinodal, de São Leopoldo, que obteve a melhor colocação entre todas as escolas do Rio Grande do Sul no Enem. A direção relaciona o resultado ao tempo que os alunos permanecem no estabelecimento - pela manhã e quase todas as tardes. Os estudantes fazem provas duas vezes por semana e respondem a simulados toda sexta-feira, fazendo o conteúdo ser bem assimilado.

Quem se destaca é elevado ao posto de monitor e ganha descontos na mensalidade, por mérito. Na escola, 60% destes professores são mestres ou doutores e recebem incentivos financeiros para se atualizar em congressos e especializações. — Acima de tudo, temos de criar nos nossos alunos uma abertura de visão do mundo. Se conseguirmos isso, vamos torná-los pessoas mais críticas, com mais argumentos e experiências de vida — diz o diretor-geral, Ivan Renner.

O perfil
- Alunos: 934 (do berçário ao Médio)
- Professores: 82
- Mensalidade: R$ 755 (Ensino Médio



2° Colégio Politécnico da UFSM - Santa Maria

Os títulos de melhor escola privada do Estado e segunda no ranking geral do Enem encheram de orgulho alunos e professores do Colégio Politécnico da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Para o diretor, Canrobert Kumpfer Werlang, a nota no exame demonstra que os colégios públicos têm condições de competir com os privados em qualidade.

A nossa fórmula de sucesso passa pela proposta pedagógica, pelo corpo docente e pelos alunos. O resultado no Enem não é uma surpresa, mas sim um resultado do nosso trabalho — diz ele. Para o diretor, os alunos são um diferencial, porque sabem o que querem. Emanoelle Scheid, 17 anos, do 3º ano, confirma a teoria.Com o Enem e o vestibular na cabeça, ela se sente segura para os desafios: — Somos bastante exigidos, mas sabemos que isso é necessário para alcançar nossos objetivos

O perfil- Alunos: 119
- Professores: não informado
- Mensalidade: gratuito



3° Colégio Mutirão - Caxias do Sul

Dono da terceira melhor nota no Estado, o Colégio Mutirão, de Caxias do Sul, trata os conteúdos de forma interdisciplinar. O modelo se casa à perfeição com o exame, organizado em grandes áreas do conhecimento. — Antes de o Enem surgir, a escola já trabalhava de forma integrada — diz a coordenadora pedagógica, Márcia Petteffi.

Na sexta, havia professores de história geografia e física na sala da 8ª série para ensinar sobre a II Guerra Mundial. — Dessa forma, o aluno vai conseguir fazer relações com outras disciplinas — explica a professora de história Joseane dos Reis.

O perfil
- Alunos: 340
- Professores: 50
- Mensalidade: R$ 504,90 (1º e 2º anos) e R$ 712,90 (3º ano, com pré-vestibular)

4° Colégio Nossa Senhora Aparecida - Nova Prata


No Colégio Nossa Senhora Aparecida, de Nova Prata, 27 alunos do 3º ano fizeram o Enem, colocando o estabelecimento entre os cinco melhores do Estado. Giovana Bristot, 18 anos, alcançou 727 pontos, aproveitados para ingressar no curso de Biomedicina da UFRGS.

Ela compara o Aparecida à escola pública de onde veio: — A cobrança e a carga horária são muito maiores. A carga horária do Ensino Médio inclui aulas em três tardes, além do turno da manhã.

O perfil
- Alunos: 450
- Professores: 45
- Mensalidade: R$ 559 (1º e 2º anos) e R$ 767 (3º ano

5° Colégio Israelita - Porto Alegre

Primeiro colocado na Capital, o Colégio Israelita Brasileiro orgulha-se de conhecer os pontos fracos e fortes de cada um dos alunos. A partir daí, as dificuldades são tratadas caso a caso, o que torna o aprendizado mais fácil. Outro segredo está na sede por conhecimento dos estudantes, acredita o professor de química Alberto Jacó Becker: — Dia de avaliação é uma neura geral. Depois, quando recebem as notas, os alunos querem saber o porquê de as respostas estarem certas ou erradas. O desempenho também se explica pelo fato de os alunos se empenharem para conquistar uma vaga na UFRGS. — Todos são inteligentes e querem ser os melhores - diz Bruna Engelman, 16 anos.

O perfil
- Alunos: 740, 156 deles no Ensino Médio
- Professores: 110, 27 deles no Ensino Médio
- Mensalidade: R$ 1.036.


Fonte:Zero Hora.

Mais uma vez, ranking do Enem mostra desigualdade entre escolas públicas e privadas

Escolas gaúchas não aparecem nem entre as 30 melhores, mas Estado tem a melhor média nacional

Das 20 melhores escolas de ensino médio do país, 12 estão na Região Sudeste, quatro na Região Centro-Oeste, quatro na Nordeste e apenas duas são públicas. O diagnóstico, que mostra a desigualdade entre as instituições dependendo da localidade ou do gestor, está no resultado do desempenho por escola no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2009, divulgado nesta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ligado ao Ministério da Educação

O desempenho das escolas foi calculado com base na média total obtida por seus alunos nas provas objetivas e na redação. A média nacional, segundo o Inep, foi de 500 pontos. As escolas particulares conquistaram os melhores resultados e são maioria no ranking, com 18 das 20 posições

A melhor escola do país, segundo os resultados do Enem 2009, é o Colégio Vértice, de São Paulo, com média total de 749,7. Em seguida, estão o Instituto Dom Barreto, de Teresina, com 741,59 pontos, e o Colégio São Bento, do Rio de Janeiro, que liderou a classificação nos últimos dois anos e, em 2009, teve média total de 741,32 pontos. As duas únicas instituições públicas da lista das 20 com melhor desempenho no Enem são escolas ligadas a universidades.

O Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa (UFV) obteve média total de 734,66 pontos e ficou com a sétima colocação no ranking. Ligado à Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), o Colégio de Aplicação Fernando R. da Silveira teve média total de 722,58 e aparece na 17ª posição. Com 249,25 pontos, metade da média nacional, o pior desempenho no exame foi o da Escola Estadual Indígena Dom Pedro I, em Santo Antônio do Içá, no Amazonas.

A participação no Enem é voluntária. Escolas com menos de 2% de participação de alunos no exame não tiveram suas médias divulgadas. Escolas do RS não aparecem nem entre as 30 melhores O Rio Grande do Sul mal apareceu no seleto grupo das melhores escolas públicas e privadas do país no Ensino Médio. Na lista das cem instituições com maior nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a ser divulgada pelo Ministério da Educação, há apenas duas instituições gaúchas.Nenhuma delas está entre as 30 primeiras.

O desempenho gaúcho se assemelha ao da edição anterior, quando o top 100 da educação nacional também contou com apenas uma dupla rio-grandense - um dos estabelecimentos era o atual melhor colocado gaúcho, o Colégio Sinodal de São Leopoldo. — Por causa da imagem edulcorada que tínhamos da qualidade da escola gaúcha, pode ter ocorrido uma acomodação. Achávamos que estávamos muito bem e agora vemos que não estamos tão bem — avalia Helena Sporleder Côrtes, professora da Faculdade de Educação da PUCRS

Fonte: Zero Hora.

Escolas gaúchas ficam fora das 30 melhores no Enem 2009

Com raros representantes na lista das escolas com melhores notas no país, o RS conquistou a liderança na média geral.

O Rio Grande do Sul mal apareceu no seleto grupo das melhores escolas públicas e privadas do país no Ensino Médio. Na lista das cem instituições com maior nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a ser divulgada pelo Ministério da Educação, há apenas duas instituições gaúchas. Nenhuma delas está entre as 30 primeiras.


O desempenho gaúcho se assemelha ao da edição anterior, quando o top 100 da educação nacional também contou com apenas uma dupla rio-grandense - um dos estabelecimentos era o atual melhor colocado gaúcho, o Colégio Sinodal de São Leopoldo.

— Por causa da imagem edulcorada que tínhamos da qualidade da escola gaúcha, pode ter ocorrido uma acomodação. Achávamos que estávamos muito bem e agora vemos que não estamos tão bem — avalia Helena Sporleder Côrtes, professora da Faculdade de Educação da PUCRS.

Uma mudança na forma de cálculo, porém, impede uma comparação direta entre as notas de 2008 e 2009. Até 2008, os participantes eram avaliados em uma escala de 0 a 100. Agora, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) usa um sistema mais complexo, baseado na Teoria de Resposta ao Item (TRI) e usado em vestibulares. Por ele, as questões ganham peso diferente conforme o grau de dificuldade, e não se distribuem em uma escala pré-fixada de mínimo e máximo. O número 500 representa a média geral de quem realizou a prova. Quanto mais distante for a nota para cima, melhor o aluno se saiu.

Apesar disso, é possível constatar que a elite da educação brasileira e gaúcha ainda se encontra nas redes particular, federal e do ensino técnico - que atingem as maiores médias totais (combinação da nota da prova objetiva e da redação, e usadas como parâmetro por ZH neste caderno). Em Porto Alegre, por exemplo, os alunos da escola privada de Ensino Médio Regular com pior nota no Enem ainda conseguiram superar 60% dos colégios estaduais da cidade que tiveram média total calculada.

O valor mais baixo registrado por um estabelecimento privado convencional (excluindo Educação de Jovens e Adultos) foi de 548,94. Se pertencesse à rede estadual, teria ficado à frente de 50 das 84 instituições desse sistema localizadas na Capital.

As melhores escolas públicas, por sua vez, fogem ao modelo tradicional. Das 10 primeiras colocadas no Rio Grande do Sul, apenas duas têm perfil mais convencional. Cinco são federais - das quais duas são militares. As outras cinco são estaduais, mas uma também tem vinculação militar (o colégio Tiradentes, vinculado à Brigada Militar), e duas são estabelecimentos de ensino técnico.

Liderança na média geral

O desempenho gaúcho guarda uma curiosidade. Como um time sem estrelas, mas competitivo, o Estado vai bem quando se calcula uma média geral para todos os estabelecimentos e se compara com a nota de outras regiões. Nesse ranking hipotético, elaborado por ZH, os rio-grandenses ficam na primeira posição graças ao melhor desempenho dos alunos de colégios estaduais em relação aos colegas de outros Estados e pelo fato de não contarem com nenhum representante entre os cem piores colocados.


O Inep esclarece que não fez cálculos estaduais e não considera o Enem como indicador de qualidade das unidades da federação, porque a participação no exame é voluntária. Mesmo assim, a professora da Faculdade de Educação da PUCRS Helena Sporleder Côrtes acredita que uma análise mais abrangente do Enem pode ser útil:

— Se a análise isolada mostra que não estamos entre os melhores, a avaliação coletiva mostra que também não estamos entre os piores — argumenta Helena.


Na lista das cem escolas com as maiores médias no Enem 2009 - dominada por instituições particulares ou gratuitas com perfil diferenciado, a exemplo das federais e militares - há apenas uma legítima representante da tradicional escola pública gaúcha. A Escola Estadual de Ensino Médio Presidente Costa e Silva, localizada no bairro Medianeira, em Porto Alegre, fica atrás apenas do colégio Tiradentes, vinculado à Brigada Militar, e da técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha - ocupando a primeira posição dos estabelecimentos públicos de perfil convencional.

A média total (prova objetiva mais redação) conquistada pelo estabelecimento foi 627,58. Essa marca supera o valor obtido por 70% das instituições privadas do Estado que receberam nota no exame do Ensino Médio.



Fonte: Zero Hora.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Número de matrículas apresenta crescimento na creche e pré-escola

A educação infantil pública no Brasil cresceu nos últimos anos. O censo da educação básica de 2009 mostra que há 1,2 milhão de crianças matriculadas em creches. Em 2000, esse número era de 652 mil.Já na pré-escola, foram registradas 3,7 milhões de matrículas em instituições públicas no ano passado; há dez anos, eram 3,8 milhões. No entanto, essa diferença não representa queda no número de crianças matriculadas, já que boa parte dos alunos de seis anos, que antes cursavam a pré-escola com essa idade, agora estão no primeiro ano do ensino fundamental, devido à implantação do ensino de nove anos. Em 2009, havia 2,2 milhões de matrículas no primeiro ano do ensino fundamental.

Com a expansão da oferta na educação infantil, a demanda por professores qualificados também aumenta. Na creche, por exemplo, a proporção deve ser de um educador para cada dez alunos, no máximo. Por isso, o Ministério da Educação (MEC) tem intensificado as ações de formação de docentes para atuar nessa etapa da educação básica.

Uma dessas ações é o Proinfantil, programa que tem o objetivo de formar – em nível médio magistério – professores em exercício na educação infantil pública que não tenham sequer o ensino médio. Já estão em formação 23 mil docentes.Com o ensino fundamental de nove anos, obrigatório a partir de 2010, as matrículas no primeiro ano também cresceram. Para melhorar a qualidade do ensino em leitura, escrita e matemática, o MEC oferece o Pró-Letramento, programa de formação continuada de professores das séries iniciais do ensino fundamental, em exercício na rede pública.

Vale lembrar que, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), os educadores formados em nível médio na modalidade normal estão habilitados a lecionar na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental. Tramita no Congresso Nacional um projeto de lei que altera a LDB; caso seja aprovado e sancionado, determinará que os professores com formação em nível médio, que passem em concursos para atuar na rede pública de ensino, terão prazo de seis anos para concluir um curso de licenciatura.

É importante ressaltar que a educação infantil saiu da assistência social e foi para a área educacional há pouco tempo. Antes, não se exigia formação em magistério para atuar em creches, porque o profissional só tinha que cuidar das crianças; agora, tem que cuidar e educar”, explica a secretária de educação básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda.

Ainda assim, a quantidade de professores com formação inferior à exigida para lecionar caiu em dez anos. Em 1999, havia 130.949 docentes com nível fundamental. Em 2009, o número foi para 12.480. Já os formados em nível médio eram 1.022.257 em 1999. Dez anos depois, havia 624.320 professores atuando com esta formação. Destes, 385.663 estavam em creches, pré-escolas e nos anos iniciais do ensino fundamental; portanto, com formação adequada para essas etapas do ensino, de acordo com o artigo 62 da LDB

Fonte: Nota10 - Notícias Diárias de Educação.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Letra feia não é só pressa ou preguiça. Pode ser disgrafia

SITE VEJA SAUDE
24/06/2010

Com os cadernos de caligrafia fora de moda nas escolas, a letra ilegível deixou de ser marca registrada apenas de médicos e apressados. Atraídos pelo computadores, crianças e jovens tendem a exercitar pouco a letra cursiva - antes treinada à exaustão nas folhas milimetricamente pautadas. Assim, a hora da escrita pode virar um tormento: tanto para quem escreve quanto para quem lê. Nas crianças em idade de alfabetização, no entanto, a atenção de pais e professores deve ser redobrada. Letra feia no caderno pode não ser apenas falta de jeito com o lápis ou caneta, mas, sim, um transtorno de aprendizagem conhecido como disgrafia, que afeta a capacidade de escrever ou copiar letras, palavras e números. O centro do problema está no sistema nervoso, mais precisamente nos circuitos neurológicos responsáveis pela escrita.

“A disgrafia pura ocorre ainda durante a gestação e já nasce com a criança. Ela não é adquirida”, explica Rubens Wajnsztejn, neurologista especializado em infância e adolescência. De acordo com Marco Antônio Arruda, neurologista do Instituto Glia de Cognição e Desenvolvimento, estudos apontam que a disgrafia é mais comum em meninos e é detectada ainda na infância, depois que o processo de alfabetização é consolidado, por volta dos oito ou nove anos. “A disgrafia pode ocorrer em adultos também, mas somente quando ocorre uma lesão, como um derrame, que pode comprometer a coordenação motora de mãos e braços”, afirma o médico. “Mas, nesse caso, já não se trata mais de disgrafia pura”.

Ainda na infância, a dúvida é saber quando a letra ilegível vai além da preguiça ou pressa e deve ser tratada como transtorno. Um teste eficiente é pedir que a criança escreva algumas frases em uma folha sem linhas, conta Raquel Caruso, psicomotricista e coordenadora da Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico (Edac). Se o resultado for uma escrita lenta, com letras irregulares, retocadas e fora das margens, é hora de preocupar-se. Além disso, os disgráficos têm dificuldades em organização espacial: daí, a escrita em que as palavras parecem “subir e descer o morro”.

Os sintomas da disgrafia não se referem exclusivamente à escrita. Alguns outros sinais de alerta podem ajudar os pais antes mesmo da alfabetização dos filhos. “Se você leva a criança a uma festa junina, por exemplo, observe se ela tem ritmo para acompanhar as músicas, memória para fixar os passos e atenção aos movimentos”, diz Raquel Caruso. Se observada alguma dificuldade nesse sentido, é hora de estimular a prática de exercícios físicos como correr e nadar, além de brincadeiras como amarelinha, pintura e recorte para estimular a parte motora dos pequenos. A falta dessas atividades pode comprometer o tônus muscular, piorando a já difícil situação dos disgráficos.

Rendimento escolar – É importante ressaltar que a disgrafia não compromete o desenvolvimento intelectual da criança nem é um indicador de que o Q.I. (quociente de inteligência) dela é baixo. Silvana Leporace, coordenadora do serviço de orientação educacional do Colégio Dante Alighieri, em São Paulo, reforça: “Geralmente, os disgráficos são alunos muito inteligentes. A comunicação oral deles é muito boa, mas, na hora de colocar as ideias no papel, eles têm muita dificuldade”, conta.

É esse desdobramento do problema que pode prejudizar o rendimento do aluno. Devido à dificuldade no ato motor, a criança demora mais a realizar algumas atividades, em comparação a seus colegas. É o caso de tarefas simples como copiar a lição da lousa. Outra situação típica: a professora pede que os estudantes redijam um texto, e o disgráfico, envergonhado pela a letra feia, conclui que nem vale a pena escrever. “Isso abala a autoestima da criança”, diz Sônia das Dores Rodrigues, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Diante do obstáculo, ele deixa de aprender.

Sem o treinamento exaustivo da caligrafia, a atenção na escola deve ser redobrada. “Se o treinamento da letra cursiva existe desde cedo, é possível encontrar os disgráficos. Com a prática em desuso, os professores e pais podem confundir digrafia com preguiça”, alerta Marco Antônio Arruda. “Mas a letra feia pode ser treinada e as crianças tidas como preguiçosas têm as habilidades necessárias para escrever bem. Já as digráficas, não: elas não tem habilidade e precisam de tratamento.”

Como tratar – Assim como em outros transtornos de aprendizagem, o tratamento da disgrafia é multidisciplinar e envolve neurologistas, psicopedadogos, fonoaudiólogos e terapeutas. Medicamentos só são indicados quando existem outros transtornos envolvidos, como déficit de atenção (DDA) ou hiperatividade.

Em relação à parte motora, Raquel Caruso, do Edac, afirma que é necessária uma preparação prévia do paciente, com exercícios mais amplos, para depois chegar à escrita. “O ponto principal é trabalhar com o corpo, com exercícios como manusear a argila e massagens, e depois partir para o específico, que é a escrita e outros problemas, como o de memória”, explica. “Vemos apenas o produto final, que é a letra ilegível, mas existe muita coisa por trás disso”. O tratamento pode levar meses e até anos, variando conforme o caso. O objetivo não é atingir a letra bonita, mas, sim, legível. E dar uma forcinha para o processo de aprendizado das crianças.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Geração Y não abandonará as redes sociais

SITE VEJA VIDA DIGITAL

Um estudo conduzido pelo instituto Pew Internet & American Life Project, nos Estados Unidos, mostra que a esmagadora maioria dos especialistas em tecnologia acredita que as redes sociais são muito mais do que uma moda passageira entre os jovens que nasceram sob a influência da internet, popularmente conhecidos como Geração Y.

Mais de dois terços dos 895 entrevistados - acadêmicos, pesquisadores e executivos de grandes universidades e empresas como Google, Microsoft, Yahoo! e Linux - afirmam que a Geração do Milênio, ou Geração Y, continuará usando as ferramentas sociais quando entrar na fase adulta ou constituir família.

O levantamento faz parte de um estudo maior chamado O Futuro da Internet, que está na sua quarta edição e procura mapear as crenças daqueles que mais influem no desenvolvimento de novas tecnologias. O objetivo principal do estudo identificar as expectativas dos especialistas para a rede entre 2010 e 2020.

Para os pesquisados, "os nativos digitais continuarão usando as redes sociais e revelando na internet informações pessoais, no intuito de se manterem conectados com o mundo nos mais variados aspectos, sejam eles sociais, econômicos ou profissionais. Mesmo quando adultos e com mais responsabilidades, os integrantes desse grupo seguirão compartilhando informações privadas com frequência".

Os especialistas acreditam que as vantagens do compartilhamento de informações íntimas superam as possíveis consequências negativas. Um programador do Mozilla exemplifica: "A menos que os jovens da Geração Y tenham uma epifania coletiva com relação ao valor da privacidade, eles continuarão a negligenciá-la em troca dos benefícios de uma vida digital".

Apenas 29% dos voluntários acreditam que os "nativos digitais" perderão o interesse em sites como Facebook e Twitter no futuro.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Violência escolar ou Bullying?

SITE GUIAINFANTIL.COM

A violência escolar é uma ameaça às crianças. Bullying é uma palavra inglesa que significa intimidação. Infelizmente, é uma palavra que está em moda devido aos inúmeros casos de perseguição e agressões que se estão detectando nas escolas e colégios, e que estão levando a muitos estudantes a viverem situações verdadeiramente aterradoras.

O Bullying se refere a todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro ou outros. O que exerce o "bullying" o faz para impor seu poder sobre outro através de constantes ameaças, insultos, agressões, humilhações, etc., e assim tê-lo sob seu completo domínio durante meses, inclusive anos. A vítima sofre calada na maioria dos casos. O maltrato intimidatório o fará sentir dor, angústia, medo, a tal ponto que, em alguns casos, pode levá-los a consequências devastadoras como o suicídio.
Casos concretos de bullying

O fenômeno da violência escolar está na ordem do dia e preocupa sociedade civil, a nível global. 30 a 35% das crianças portuguesas foram vítimas deste fenômeno nas escolas. O "bullying" é o que mais preocupa. Não é certo afirmar que a violência escolar tenha aumentado a nível global, porém, existem cada vez mais casos flagrantes de agressões físicas e psicológicas praticadas nas escolas, entre alunos e também contra professores que chegam ao nosso conhecimento através da mídia.

Uma pesquisa divulgada em 7 de outubro de 2008 pela organização não-governamental Internacional Plan, , que atua em 66 países em defesa dos direitos da infância, apontou que 70% dos 12 mil estudantes pesquisados em seis Estados brasileiros afirmaram terem sido vítimas de violência escolar. Outros 84% desse total apontaram suas escolas como violentas.
O relatório é parte da campanha global Aprender sem medo, lançada também hoje. O objetivo é promover um esforço mundial para erradicar a violência escolar. O estudo também indicou que cerca de 1 milhão de crianças em todo o mundo sofrem algum tipo de violência nas escolas por dia.

A campanha terá como foco as três principais formas de violência na escola: o castigo corporal, a violência sexual e o bullying, fenômeno definido pelo estudo como "atitudes agressivas, intencionais e repetidas que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro".

Cada país vai moldar a campanha de acordo com a realidade nacional. Comum em todo o mundo, o bullying será o centro das ações no Brasil. Segundo a pesquisa, pelo menos um terço dos estudantes do País afirmou estar envolvido nesse tipo de atitude, seja como agressor ou como vítima. De acordo com o assessor de educação da Plan Brasil, Charles Martins, o castigo corporal, apesar de ainda estar presente nas escolas brasileiras, é mais repreendido do que o bullying.

"Nós identificamos que o bullying é hoje a prática mais presente. Com o conselho tutelar e outras ações externas, o castigo corporal não acontece tão facilmente, já o bullying tem implicações psicossociais nos indivíduos. Mas não se tem essa consciência, é uma temática nova", explica o pesquisador.

O estudo aponta que as vítimas dessa prática perdem o interessem pela escola e passam a faltar às aulas para evitar novas agressões. "Essas vítimas apresentam cinco vezes mais probabilidade de sofrer depressão e, nos casos mais graves, estão sob um risco maior de abuso de drogas e suicídio", diz o relatório.

Martins alerta que o comportamento não é tão fácil de ser identificado, mas pode ser configurado como bullying quando as agressões verbais e emocionais se tornam repetitivas. "O professor precisa identificar em sala de aula as crianças que têm um padrão de vítima como timidez, problemas de rendimento e se tornam em alguns momentos anti-sociais", indica.
Para a organização, as estratégias de combate à violência escolar mais eficientes se concentram na própria escola. Alguns exemplos são o estabelecimento de normas claras de comportamento, treinamento de professores para mudar as técnicas usadas em classe e a promoção da conscientização dos direitos infantis.

A campanha terá início em 2009. Segundo Martins, a ONG buscará o apoio de dirigentes escolares, professores e dos três níveis de governo para a divulgação do tema. Entre as principais ações está o desenvolvimento de oficinas com os alunos em escolas-piloto para desenvolver o chamado "protagonismo infantil".

"Ao final eles serão orientados a implementar na escola um comitê dos direitos das crianças. Eles serão multiplicadores também em outras escolas", explica Martins. O número de escolas ainda não está definido, pois dependerá de futuras parcerias.

Em pesquisa realizada em 2007 especificamente com escolas estaduais em São Paulo, foram detectadas as seguintes conclusões (http://www.udemo.org.br/), com relação à violência contra pessoas, pela ordem, foram as mais freqüentes: briga entre alunos (acima de 80%) – isso reflete o que está acontecendo fora da escola; desacato a profissionais da escola (também acima de 80%), porte ou consumo de bebidas alcoólicas (63%), tráfico ou consumo de drogas (36%), invasão de estranhos (54%), ameaças de morte contra profissionais da escola (30%) e porte ou uso de arma (14%).

A pesquisa também abrangeu a violência contra os bens materiais da escola, como (em ordem de maior frequência): depredação, pichação, arrombamento, dano a veículo, furto e explosão de bombas.

Por Pablo Zevallos

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O que (quase) ninguém vê

SITE REVISTA EDUCAÇÃO- EDIÇÃO 158

Um levantamento inédito sobre a violência no ambiente escolar brasileiro apontou, em abril deste ano, que 70% dos alunos entrevistados já haviam presenciado, pelo menos uma vez, maus tratos a colegas na sala de aula. Aqueles que informaram ter visto colegas serem maltratados várias vezes por semana somam quase 9%, enquanto 10% viram atos violentos todos os dias. Mais: das cinco regiões do país, a Sudeste é a que apresenta maior frequência de maus tratos entre colegas, seguida por Centro-Oeste e Sul.

Realizada pela ONG Plan Brasil, a pesquisa Bullying escolar no Brasil foi realizada entre os meses de outubro e dezembro de 2009 e envolveu 5.168 estudantes de 5as, 6as, 7as e 8as séries de 25 escolas públicas e particulares nas cinco regiões do país, além de professores, funcionários, diretores e coordenadores de escolas e pais de alunos. Os resultados da pesquisa servirão de subsídio para a campanha Aprender sem Medo, ação global que pretende erradicar a violência nas escolas. "A campanha teve início em 2008 e no Brasil escolheu esse tema por ele ser pouco estudado e difundido em nossas escolas", explica a consultora da Plan, Cleo Fante.

O bullying, termo inglês que significa intimidação, compreende atitudes agressivas de todas as formas, praticadas de maneira intencional e repetitiva. Executadas em uma relação desigual de poder, ocorrem sem motivação aparente, causando dor e angústia na vítima. Embora tenha se tornado bastante recorrente na mídia a partir da década de 1990, o bullying não é um fenômeno novo. Na literatura, o escritor austríaco Robert Musil narrou esse tipo de maus tratos em O Jovem Törless, publicado em 1906. A vítima era Basini, aluno de um colégio interno flagrado ao roubar outro colega. Como forma de repreensão, dois estudantes decidem aplicar-lhe castigos humilhantes.

"O bullying sempre existiu, mas era tratado como uma forma de violência sem características próprias", comenta a professora Luciene Tognetta, do Departamento de Psicologia Educacional da Faculdade de Educação (FE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "O olhar da ciência se volta às peculiaridades do bullying que o tornam mais sério do que outras formas de violência: é repetido e a vítima tem força para suportá-lo", completa. Segundo Cleo Fante, a gravidade do bullying e seu prejuízo eram considerados brincadeiras próprias da fase do amadurecimento do indivíduo. Essa interpretação foi desmistificada por estudos desenvolvidos pela Universidade de Bergen, na Noruega, durante a década de 80, que alertavam sobre a existência de um fenômeno velho e novo. O material também apontava que o bullying exigiria a atenção e a preocupação não só dos profissionais das escolas, mas dos pais e da sociedade como um todo.

A escola e o bullying
De acordo com a pesquisa, quando docentes e gestores foram questionados sobre as possíveis causas de bullying no ambiente escolar, transferiram para as famílias o dever de evitar esses episódios na escola, e vice-versa. Entretanto, muitos pais assumiram uma parcela da culpa ao perceber que famílias negligentes também são uma das causas dos maus tratos, pois é por meio da agressividade que a criança busca a atenção de adultos e colegas. Luciene Tognetta acredita que a escola precisa de um espaço para a discussão do tema em vez de recorrer a ações paliativas, como a suspensão do agressor. "É responsabilidade da instituição prevenir e tratar o bullying, auxiliando o professor a identificar o problema para que ele ajude vítimas e agressores a compreender as regras", opina.

Regina de Andrade, que leciona língua portuguesa em uma escola estadual da zona leste de São Paulo, concorda. "O professor tem de agir como professor, e não apenas passar a matéria e ensinar. A maioria não quer se envolver", diz. Ela também reconhece que a falta de autoridade na escola - apontada por pais durante a pesquisa - resulta em excesso de liberdade e permite a impunidade dos agressores, estimulando a repetição da violência. "Depois de muita insistência dos professores, o coordenador chama o aluno. Se continuar, os pais são convocados", conta.

O que mais chama a atenção dos pesquisadores é o local de maior incidência dos ataques. Segundo as vítimas entrevistadas pelo estudo, no Brasil o local mais usado é a sala de aula, com ou sem o professor, seguido do pátio. Em outros países a preferência é pelo pátio e locais de menor visibilidade, como banheiros e corredores. "Esse indicador alerta para a dificuldade do adulto em identificar o bullying como também para a forma de organização da própria escola e de sua equipe, que necessita de treinamentos específicos para identificar, intervir e prevenir o fenômeno", destaca Cleo.

Perfil das vítimasPara a maioria dos alunos entrevistados (16,84%), a principal motivação do agressor para maltratar um colega é querer ser popular. No entanto, muitos não souberam comentar o porquê desse tipo de violência nas escolas (11,59%). Algumas situações de agressão surgem da dificuldade em estabelecer limites para as brincadeiras, muitas vezes sem que os próprios envolvidos percebam a gravidade da situação. A manifestação mais frequente de maus tratos entre alunos, conforme o estudo, é a agressão verbal por apelidos e xingamentos, sendo vários deles gratuitos e, geralmente, relacionados à aparência (altura, sobrepeso, padrões de beleza, cor da pele, uso de óculos ou aparelhos dentários) ou às necessidades especiais.

Regina de Andrade corrobora os dados da pesquisa no dia a dia. Em sua escola, as vítimas de bullying costumam ser garotos e garotas com característica físicas como sobrepeso, altura elevada, cabelos crespos e cor da pele. Além disso, estudiosos e introspectivos, estereotipados como nerds, também sofrem com os agressores.A maioria das vítimas do bullying declarou nada fazer após os maus tratos. Eles se sentem magoados (6,6%), comportamento que pode levar à repetição da violência, já que preserva os agressores. Porém, muitas vítimas procuram se defender sozinhas (6,3%). Menos de 10% dos alunos entrevistados buscam ajuda dentro da escola, seja falando com o diretor ou com um professor.

Quanto aos sexos, meninos e meninas são afetados de modo diferente por esse tipo de violência. O que os meninos expressam sentir após serem maltratados revela que talvez eles estejam querendo mascarar seus sentimentos para não demonstrar fraqueza. Dizem "achar engraçado", "não sentir nada" e que "se sentem bem". As meninas admitiram ter se sentido magoadas, chateadas, tristes e até com medo. "É possível inferir que isso decorre da dificuldade dos meninos em assumir emoções ligadas ao sofrimento causado pela situação, tendendo a mostrar-se indiferentes ou pouco impactados pelas ações agressivas", afirma o relatório. As formas de bullying também variam de acordo com o sexo, como observa Luciene Tognetta, da Unicamp: ao praticá-lo, as meninas são mais sutis, abandonando colegas, formando "panelinhas" e diminuindo o outro moralmente. Os meninos usam a força física e a imposição.

Regina de Andrade relata o caso de um garoto autista do 2º ano do ensino médio, que servia de meio para uma aluna provocar outro colega da mesma sala: ela pedia para ele fazer as "brincadeiras" com o outro aluno, pois assim a culpa não seria dela. "Os alunos acabavam ensinando o que era errado para ele", conta. A atitude mais comum nas escolas em geral é a convocação do responsável, que só acontece quando a situação se agrava. "A maioria dos pais defende o filho e não acredita no professor", diz, relembrando o caso do aluno que colocou laxante em uma garrafa de refrigerante e deixou em cima da carteira para os colegas. Quem se aproximasse e pedisse para beber, ele deixava. Ao ser chamado pela coordenadora e informado do que o filho havia feito, o pai simplesmente riu.
Lucie Ferreira

terça-feira, 29 de junho de 2010

Sonhar pode ajudar na aprendizagem e melhorar a memória

SITE DO CADERNO DONNA DO JORNAL ZERO HORA

Sonhar um pouco sobre as matérias que estão estudando para prestar uma prova importante na escola pode ajudar os estudantes a terem um bom desempenho no teste. Mas se não sonharem nada ou muito sobre o que estão aprendendo nas noites que antecedem o exame, o resultado pode ser exatamente o inverso e provocar o temido “branco” ou “apagão” da memória. É a conclusão a que estão chegando os pesquisadores do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS) por meio de experiências inusitadas.

Em 2007, os neurocientistas do Instituto dirigido pelo cientista brasileiro Miguel Nicolelis iniciaram uma pesquisa com 22 apreciadores do popular e controverso videogame Doom, em que o jogador é transformado em um fuzileiro espacial e precisa exterminar criaturas bizarras, como monstros e zumbis. Durante a experiência, os pesquisadores observaram que os jogadores que não sonharam ou sonharam muito com o jogo nas noites que passaram no laboratório do IINN-ELS, ligados a um aparelho de eletroencefalograma, foram mal no jogo. Já as que sonharam um pouco sobre ele apresentaram um desempenho melhor.

– Observamos que houve uma relação direta entre os sonhos e a performance dos jogadores – afirma o neurocientista e chefe de laboratório do IINN-ELS, Sidarta Ribeiro. – À medida que sonhavam com o jogo, eles jogavam melhor. Mas se sonhavam muito com ele e ultrapassavam um determinado limite de sonho jogavam mal – diz.

De acordo com Ribeiro, o estudo, que está quase pronto para publicação, não demonstra categoricamente que o sonho melhora a aprendizagem. Mas sugere que ambos estão fortemente relacionados e ajuda a elucidar o papel desempenhado especificamente pelo sonho no processo de sono-aprendizagem. Até hoje o que se sabia é que o sono pode ajudar na aprendizagem e melhorar a memória, e que a maioria das pessoas sonha durante a fase do sono leve, ou REM, que é a melhor para recordação de memórias e é caracterizada pelo rápido movimento dos olhos.
– A ideia que estamos trabalhando é que o sonho é um processamento da memória – revela. – Se nós prestarmos atenção no nosso dia-a-dia, quando temos um nível de estresse baixo e sonhamos moderadamente, retemos mais memória. Mas se ficamos muito estressados e não sonharmos, o resultado é exatamente o oposto – compara.

Sonhos violentos
O especialista explica que escolheram um jogo tão violento como o Doom para realizar a pesquisa porque os próprios sonhos têm um contexto violento e guardam uma relação antropológica com os nossos ancestrais mais longínquos que, ao acordarem, tinham que matar ou morrer.
– Nós não podíamos pegar uma situação da vida de um sujeito comum de hoje para realizar a pesquisa”, conta Ribeiro. – Tentamos replicar uma situação de risco de predação vivida pelos nossos ancestrais para expor os participantes da pesquisa a uma situação de estresse.

Em outro experimento que será realizado no IINN-ELS, os participantes serão divididos em dois grupos em outro jogo de videogame, em que primeiro representará a caça e o segundo o caçador. Os pesquisadores esperam que haja uma divergência nos sonhos e no desempenho dos participantes de acordo com o papel exercido por eles no jogo. A suposição é que os “predadores” se estressarão menos e, consequentemente, reterão mais memória e jogarão melhor do que os “caçados”.

Os filhos da geração digital

SITE DO JORNAL A RAZÃO - Santa Maria

Os jovens nascidos nos anos 80 e 90, contemporâneos da revolução digital e conhecidos como geração Y, são inquietos e querem crescer rápido na carreira. São especialistas em lidar com tecnologia, usam mídias sociais com facilidade, sabem trabalhar em rede e estão sempre conectados. Mas se preocupam com o mercado de trabalho altamente competitivo e buscam cada vez mais a formação superior e o ingresso na carreira pública como passaporte para a estabilidade profissional.

Os dados fazem parte de uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Mercados de Capitais (Ibmec), iniciada em 2007, que mapeou em profundidade um grupo de estudantes de administração de várias instituições de ensino superior e mostrou que, apesar das semelhanças, esses jovens não têm um perfil homogêneo. A geração Y sucede a chamada geração X, das pessoas que hoje estão na casa dos 40 anos de idade, e que sucederam a geração dos baby boomers, nascidos depois da 2ª Guerra Mundial, hoje com 60 anos ou mais. “Esses jovens, por serem altamente tecnológicos, têm uma relação com a comunicação diferente da geração anterior. Um jovem hoje consegue ver televisão, trabalhar no computador, conversar no MSN [programa de bate-papo pela internet] e ainda ouvir uma musiquinha. Essa característica, as gerações anteriores não têm”, comparou a economista Lúcia Oliveira, professora da graduação em administração do Ibmec.

A pesquisa coordenada por ela constatou que os jovens da geração Y podem ser divididos em quatro perfis distintos, conforme a visão sobre a vida e o trabalho: engajados, preocupados, céticos e desapegados. “Todos esses jovens veem o mercado de trabalho brasileiro como altamente competitivo. Para eles, encontrar emprego não é fácil, nem simples”, ressaltou a economista, que ouviu 31 estudantes em pesquisa qualitativa, com entrevistas individuais de até uma hora e meia.

Os engajados aceitam as condições do mercado de trabalho sem questionamentos e centralizam a vida na carreira profissional. Os preocupados também dão excessiva importância à carreira, mas têm ambições mais modestas. Os céticos são críticos do mercado privado, por considerarem que há uma competição exagerada e nociva, e preferem as carreiras públicas ou acadêmicas. Os desapegados dão menos importância ao trabalho do que às atividades ligadas à família e ao lazer, e visam as empresas públicas.

O contato com o grupo também levou a professora a constatar outras características típicas dos jovens nascidos nos anos 80 e 90, como a informalidade nas relações pessoais – menos hierarquizadas – e a facilidade de trabalhar em grupo, formando redes, em tarefas colaborativas, que não precisam nem ser feitas no mesmo espaço, mas pela internet.

“Eles estão acostumados a trabalharem em conjunto. Quando se tornarem líderes, vão priorizar a flexibilidade de horários e as novas formas de trabalhar. Um exemplo de empresa jovem é a Google, onde as pessoas não têm que bater ponto e está sendo muito bem sucedida, com um modelo de gestão diferente. Os mais velhos vieram de uma época em que as relações se davam no nível pessoal e não no virtual. A geração Y está habituada a se comunicar, a se integrar e a colaborar virtualmente”, explica ela.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Governo Lula prioriza investimentos em educação

Jovens com idade de 15 a 29 anos serão o principal público-alvo das ações do programa Brasil Alfabetizado, que será lançado pelo governo federal no próximo dia 19. Redesenhado, o programa faz parte do pacote educacional, com a meta de matricular 1,5 milhão de alunos este ano. O investimento será de R$ 315 milhões, dos quais 80% irão para governos estaduais e prefeituras. ONGs ficarão com os 20% restantes.

Segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), havia 14,9 milhões de analfabetos acima de 15 anos no país, em 2005. Como o jornal O Globo mostrou na última segunda-feira, 1,8 milhão tinha entre 15 e 29 anos. Somando as crianças de 10 a 14 anos, o número de analfabetos jovens chegava a 2,4 milhões. “O programa prioriza os 1.100 municípios com analfabetismo de 35% ou mais da população e estabelece metas a serem cumpridas por prefeituras e governos estaduais”, afirma o vice-líder do governo, Beto Albuquerque.

Ao firmar o convênio com o MEC, as secretarias de Educação assumirão compromissos com metas e diretrizes, uma espécie de plano plurianual. Aquelas que priorizarem o universo de 15 a 29 anos terão acesso a mais recursos. O MEC não definiu se os planos terão duração de dois ou quatro anos. A prestação anual de contas, com ênfase nos resultados, vai condicionar a liberação de recursos.

Segundo o deputado, a prioridade para os jovens de 15 a 29 anos ocorre porque, atualmente, estes não têm condições mínimas de inserção no mundo do trabalho e, para isso, é decisivo que terminem pelo menos o ensino fundamental. Dos R$315 milhões que o MEC vai investir, cerca de um terço (R$105 milhões) deverá financiar as ações de apoio, como merenda, transporte escolar e formação de professores em cursos, com carga horária mínima de 60 horas. Outra inovação é a contratação de supervisores, que coordenarão as atividades de 15 turmas. Os supervisores receberão bolsa de R$300 por mês, enquanto os professores ganharão R$200. Todos deverão ser docentes da rede pública de estados e municípios.